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Fase Amarela: Associação de Bares diz que decisão foi tomada sem diálogo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), - Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Imagem: Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo

16/12/2020 04h00

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em São Paulo, Percival Maricato voltou a criticar o decreto do governo do estado de restringir o horário de funcionamento dos bares e proibir a venda de bebidas após às 20h após o retorno à fase amarela. Segundo ele, há ao menos dois meses não há diálogo entre o setor e o governo João Doria (PSDB).

"Faz pelo menos dois meses que nós não temos nenhum contato, nenhuma forma de poder se pronunciar, de se fazer valer ou dar opiniões. Insegurança total", afirma. A entidade foi a responsável por entrar com um pedido liminar no Tribunal de Justiça de São Paulo, acatado no mesmo dia, pedindo a suspensão da proibição da venda de bebidas alcóolicas após as 20h.

A conversa com o governo [João Doria] piorou. A distância tem sido cada vez maior."
Percival Maricato, presidente da Abrasel-SP

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado respondeu que "o Governo de São Paulo mantém canal aberto para diálogo com todos os setores da economia. Esclarece ainda que atende todos os representantes de associações, e orienta para que sigam o compromisso de evitar aglomerações e respeitar os protocolos sanitários".

A recomendação de suspender a venda de bebidas alcoólicas após às 20h para consumo local, afirma, foi adotada após recomendação do Centro de Contingência do coronavírus "buscando evitar aglomerações em especial no período noturno".

"Jovens com idade entre 20 e 39 anos representam 40% dos novos casos confirmados. Desta forma, é possível evitar aglomerações durante o lazer noturno e reduzir a contaminação", reforça o texto.

Ausência de estudos

Entre os argumentos utilizados pela Abrasel para pedir a liminar de suspensão que foi acatada pela Justiça está a ausência de estudos que comprovassem a relação entre o consumo de bebidas alcoólicas e aumento na contaminação pelo novo coronavírus.

Ao UOL, a Secretaria de Saúde do estado informou que de fato não há um estudo epidemiológico específico sobre o caso de São Paulo, mas que são utilizados trabalhos feitos pela Organização Mundial da Saúde a respeito do tema.

Em entrevista ao UOL ontem, a secretaria de Desenvolvimento Econômico Patrícia Ellen também utilizou deste argumento para rebater a liminar pedida pela Abrasel.

"[A OMS] relata que o consumo de álcool compromete o sistema imunológico, aumentando a probabilidade de ser infectado. Sem falar de todos os estudos que relacionam o abuso de álcool como fator de risco para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave", disse.

Em abril, a OMS recomendou a redução do consumo de álcool durante a pandemia do novo coronavírus: "Devemos nos perguntar quais são os riscos que corremos ao deixar pessoas trancadas em suas casas com uma substância que é prejudicial tanto para a saúde quanto para os efeitos de seu comportamento nos outros, incluindo a violência", disse Carina Ferreira-Borges, gerente do Programa de Álcool e Drogas Ilícitas da organização.

Maricato rebate os argumentos: "Pois, então, que eles apresentem o estudo deles, de algum que seja realmente científico, seja responsável".

"Não estamos falando de alcoólatras, estamos falando de pessoas sadias. Quando você vai ao restaurante você pede um vinho, toma uma taça e sai normalmente. Não é isso que vai atrapalhar as suas defesas", justifica.

A associação tinha prometido entrar hoje com uma nova ação na Justiça contra o estado, mas decidiu não fazê-lo após as reações à liminar de segunda. O presidente explicou que os advogados da associação pretendem estudar a melhor forma de fazer frente ao decreto do estado.

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