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Saúde

'Butantan sustenta vacinação até agora. Precisamos de mais', diz Doria

Ana Carla Bermúdez, Andréia Martins, Carolina Alberti e Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

02/02/2021 11h14Atualizada em 02/02/2021 12h55

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) afirmou que "a vacina do Instituto Butantan sustenta a vacinação no Brasil até agora" contra a covid-19. O tucano disse ainda que o governo federal "errou feio" ao apostar em uma única vacina, a de Oxford.

"A vacinação em São Paulo segue de forma acelerada, com a vacina do Butantan. O que falta? Mais vacinas. Nós precisamos que o governo federal forneça mais vacinas. Um gesto de grandeza do governo da Índia, que cedeu 2 milhões de doses. O governo federal errou, e errou feio, ao escolher uma vacina. Hoje, o que sustenta o programa nacional é a vacina do Butantan, que chegou a ser proibida pelo presidente Jair Bolsonaro. Esse é o enfrentamento, precisamos de mais vacinas", disse Doria ao participar do UOL Entrevista, conduzido pelo colunista Kennedy Alencar.

Doria acusou o governo federal de "sabotagem" ao resistir em aceitar a vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac e pelo Instituto Butantan e de interferir na decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de aprovar o imunizante. Ele também criticou as piadas e tentativas de desqualificar a China por parte de apoiadores e do próprio presidente.

"Primeiro a pressão que ele (Jair Bolsonaro) fez sobre a Anvisa. Aquilo foi fruto da pressão direta de Bolsonaro à Anvisa. A Anvisa é uma instituição séria. Depois corrigiram o roubo e aprovaram a vacina. Ali foi uma interferência direta de Bolsonaro", afirmou.

O tucano definiu o governo Bolsonaro como "uma sucessão de erros". "Erro em tudo. É um governo que erra em tudo, e quem está pagando somos nós. Muitas vidas teriam sido preservadas se o governo não fosse tão negacionista", completou.

Questionado se Bolsonaro pode ser considerado um genocida, Doria afirmou que o presidente "está caminhando para ser classificado assim, não por mim, mas pela ciência e tribunais internacionais", e negou que tenha politizado a questão da vacina. "Não fiz jogo nem política. Eu defendi a vacina. Quem politizou foi Jair Bolsonaro que além de fraco, é negacionista".

Doria: Estado de São Paulo terá população vacinada até o fim do ano

Segundo o governador, a população do estado de São Paulo será vacinada até o fim de 2021. "Até o final do ano, sim. Vamos seguir o plano nacional de imunização. E onde o plano nacional não atuar, o plano estadual vai", afirmou Doria.

São Paulo está imunizando a população com doses da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida pelo Instituto Butantan, e também com a vacina de Oxford/AstraZeneca. O estado recebeu mais de 500 mil doses do imunizante desenvolvido pela universidade britânica.

Vacinas no SUS x clínicas particulares

Para o governador de São Paulo, a prioridade no recebimento das vacinas contra a covid-19 deve ser do SUS (Sistema Único de Saúde), e não das clínicas particulares.

"Prioridade é o SUS. Nós temos que vacinar todos os brasileiros, e gratuitamente. As clínicas particulares só deveriam ter vacina após o SUS", disse. Doria afirmou, ainda, que "privilegiar os ricos não é correto".

Um dos primeiros governadores a decretar quarentena, em março de 2020, Doria declarou que recebe "ameaças" desde então. Disse, no entanto, que não tem medo.

"Mortos não consomem, não vão a restaurantes, não fazem compras. Nós precisamos preservar a vida. Ao invés de [Bolsonaro] orientar corretamente a população, é negacionista. Você não pode ser um agente homicida. Não tenho medo de intimidação, cara feia e ameaças. Recebo ameaças desde que decretamos a primeira quarentena em São Paulo", afirmou o governador, comentando sobre restrições impostas ao comércio e a municípios do estado.

Eleição de Lira é lamentável, diz governador

Doria também classificou a vitória de Arthur Lira (PP-AL), que foi eleito presidente da Câmara dos Deputados na noite de ontem, como um episódio "lamentável" para o Brasil. Aliado do presidente Jair Bolsonaro, Lira foi eleito com 302 votos, mais do que o dobro recebido por seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP).

O governo Bolsonaro fez forte campanha nos bastidores para garantir a eleição de Lira, que envolveu a promessa de emendas e de cargos em troca de votos. Para Doria, a "compra de votos venceu a eleição". "É lamentável para o Brasil ter compra de votos. Eu lamento a vitória de Arthur Lira, porque não representa a vitória da democracia", disse.

O governador afirmou ainda que o chamado Centrão, grupo que reúne diversos partidos de centro-direita —entre eles o de Lira— vai "cobrar" a conta do governo Bolsonaro e que o Brasil vai "sofrer" com Lira na presidência da Câmara.

Impeachment e arrependimento do "Bolsodoria"

Perguntado se é favorável à abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro, no entanto, Doria evitou responder. Em diversas ocasiões, disse se tratar de uma questão cuja análise cabe ao Congresso. "Não é o João Doria, governador de São Paulo, que tem que achar isso, é o Congresso Nacional. Cabe ao Congresso fazer esse julgamento, e não a mim".

O governador, por outro lado, se disse arrependido por ter apoiado publicamente a candidatura de Bolsonaro para as eleições presidenciais de 2018. "Não tenho compromisso com o erro. Foi um enorme erro, meu e de milhares de brasileiros. Nós temos um governo que de liberal só tem o discurso. É uma tristeza para o Brasil", afirmou.

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