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Coronavírus

Conteúdo publicado há
1 mês

A cada 2 minutos, 3 pessoas são internadas com covid em SP, diz secretário

Leonardo Martins, Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

05/03/2021 13h29Atualizada em 05/03/2021 14h50

O secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, fez mais um alerta sobre a situação crítica da pandemia do novo coronavírus em São Paulo. Segundo o infectologista, a cada dois minutos, três pessoas são internadas em enfermarias e UTIs (unidades de terapia intensiva) com a doença no estado.

Desde a segunda-feira da semana passada (22), São Paulo tem uma média acima de 100 novos pacientes internados em UTIs por dia em unidades públicas e privadas de saúde. Em 11 dias, o estado passou de 6.410 internados em unidades de terapia intensiva para 7.892 nesta sexta.

"Temos elevação do número de ocupações, mas guardem essa informação: a cada dois minutos, três pacientes no estado são internados na UTI ou enfermaria. Ocupações ocorrem em média com 130 admissões novas por dia, fazendo com que tenhamos a necessidade de medidas implementadas às 0h de hoje", afirmou o secretário, lembrando a fase vermelha do Plano São Paulo que começa à meia-noite em todo o estado.

Para Gorinchteyn, São Paulo vive um estado de "guerra" contra o vírus. Na última terça-feira, São Paulo estabeleceu um novo recorde de mortes diárias, com 468 óbitos registrados em 24 horas. No dia seguinte, o governador João Doria (PSDB) anunciou medidas restritivas.

mapa - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Gráfico de pacientes internados mostra situação bem pior do que na primeira onda da covid-19
Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Estamos em guerra. Diferente das guerras que costumamos ver nos filmes, que nossas gerações não viveram, que temos mortos nas ruas, temos isso nos hospitais. Essa realidade é vista por quem está na linha de frente, esperando para saber o que fazer na sua escolha de quem vai viver ou morrer, naqueles parentes do lado de fora, que choram aguardando notícias e muitos têm a triste notícia da perda de familiares.
Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde de São Paulo

Em comparação com a pior fase da primeira onda da pandemia em São Paulo, o estado tem hoje 26,2% mais pessoas internadas em UTIs do que apresentou em julho do ano passado.

Novos leitos de UTI

Durante a entrevista de hoje, Doria chegou a falar que vai abrir um novo hospital de campanha em São Paulo, mas esclareceu que não será nos mesmos moldes do que foi visto no início da pandemia.

"Não vamos abrir aquele hospital de campanha do passado. Estaremos dentro de uma unidade hospitalar. Não vamos adotar tendas. Será um hospital de campanha dentro de unidade hospitalar, com abertura gradual. Fisicamente estaremos em um hospital", afirmou Doria.

Gorinchteyn já tinha mencionado, em outros dias, a possibilidade de abrir leitos públicos em um hospital desativado, que fica na região central da cidade e pertence à rede privada

O governo entende que é melhor fazer dessa forma por dois motivos: primeiro porque é mais rápido e depois porque, atualmente, a maior necessidade é de leitos de UTI, em vez de leitos de enfermaria, como no início da pandemia. Estes leitos precisam de uma estrutura maior e portanto não poderiam ser feitos em tendas, de forma improvisada.

Leitos bancados pelo governo federal

No fim de semana passado, a ministra Rosa Webber, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que o governo federal volte a pagar por parte dos leitos que estão abertos em São Paulo. Mas o governo do estado informou que esse pagamento não foi feito ainda. Ao cobrar o Ministério da Saúde, Gorinchteyn se exaltou e prometeu que continuará a abrir leitos, mesmo que tenha que ser nos corredores de hospitais.

"Estamos em franca pandemia e precisamos desse recurso, que já está consolidado nas leis. Vamos continuar abrindo leitos e vagas nos hospitais. Abriremos em qualquer lugar, nos anfiteatros, nos ambulatórios e que seja nos corredores. Vai ter paciente no corredor. O que não queremos é paciente desassistido", afirmou o secretário.

Logo depois Doria disse que entende o sentimento do médico, mas ressaltou que não quer pacientes nos corredores. "Queremos atender em quartos, de forma digna. É o que vamos fazer em São Paulo", prometeu o governador.

Fase vermelha por duas semanas

A fase vermelha começa hoje em todo o estado de São Paulo assim que o relógio marcar meia-noite. Apenas serviços essenciais ficam abertos, mas com capacidade reduzida —como mercados e farmácias. A medida vale por duas semanas, até o dia 19, mas pode ser prorrogada.

O objetivo é desacelerar a transmissão do vírus em São Paulo e desafogar os hospitais. Nas semanas que se seguiram após o Carnaval, o estado começou a registrar um aumento preocupante de internações por covid-19, com uma média de 93 novos pacientes por dia, sendo 60% destes na faixa etária de 30 a 50 anos.

A gestão de Doria prometeu a abertura de 500 novos leitos para tratamento da doença até o final de março, sendo 339 destes de UTI. Hoje, no entanto, a secretária de Desenvolvimento Econômico estadual, Patrícia Ellen, reconheceu que a administração tem um "limite de crescimento, de ampliação de leitos", e fez um apelo para que a população colabore.

"Temos registrado taxas de isolamento baixas, abaixo de 40%", disse. "Nossa aspiração é reduzir circulação e aumentar essa taxa. Também acompanhamos circulação por ambiente, em escritórios, espaços públicos, porque a ideia é garantirmos funcionamento mínimo da economia, mas ao mesmo tempo evitar que quem não precisa sair, saia nesse momento."

Ela pediu, inclusive, para que os manifestantes que bloquearam a Marginal Tietê hoje com caminhões e vans, em protesto contra as medidas restritivas e contra o aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), não interditem vias da cidade para permitir o atendimento a pacientes de covid-19.

"A partir de hoje, meia-noite, com medidas tomadas, a gente espera que velocidade de crescimento [de internações] caia", avaliou o coordenador-executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo. "A partir de hoje caem acidentes que ocorrem em São Paulo. Esses acidentes ocupam equipes. Com redução na mobilidade e número de acidentes, deixa de competir com mesmas equipes médicas."

Ele também afirmou que as cirurgias eletivas (que podem ser adiadas) devem ser suspensas.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado numa primeira versão deste texto e na home do UOL, o dado sobre novas internações no estado de São Paulo é para unidades públicas e privadas de saúde, e não apenas públicas. O erro foi corrigido.

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