PUBLICIDADE
Topo

Saúde

Conteúdo publicado há
15 dias

PGR cobra estados a explicar diferença entre vacinas recebidas e aplicadas

Vacinas contra a covid-19 produzidas pela Sinovac são armazenadas em refrigerador - Divulgação
Vacinas contra a covid-19 produzidas pela Sinovac são armazenadas em refrigerador Imagem: Divulgação

Colaboração para o UOL*

16/04/2021 12h35Atualizada em 16/04/2021 15h30

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou ofício aos governadores cobrando explicações pela diferença entre as doses de vacinas contra covid-19 recebidas por cada unidade da federação do Ministério da Saúde e o volume aplicado nos grupos prioritários de imunização contra a doença, disse a Procuradoria-Geral da República em nota nesta sexta-feira.

Nos ofícios enviados aos 27 chefes de Executivos estaduais e do Distrito Federal, Aras também estabelece prazo de 10 dias para que os governadores respondam ao que chamou de "questionamento sobre o motivo da lentidão na vacinação".

Apesar de uma recomendação recente do Ministério da Saúde para que Estados e municípios aplicassem todas as doses de vacina recebida, sem reservar imunizantes para a aplicação da segunda dose, o Fórum de Governadores decidiu manter a recomendação para que os gestores locais continuem guardando doses para a segunda aplicação.

A cobrança de Aras atende um pedido feito pelo Giac (Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia de Covid-19), do qual Aras é integrante, que cobrou ontem esclarecimentos sobre essa diferença.

Segundo dados disponíveis no vacinômetro da plataforma LocalizaSus, mantida pelo Ministério da Saúde, 48 milhões de doses foram entregues, mas pouco mais de 32 milhões foram efetivamente aplicadas.

No início deste mês, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), responsável pelo tema sobre as vacinas no Fórum dos Governadores, explicou que a recomendação de reserva da segunda dose foi feita diante da falta de vacinas no Brasil e da inconstância no fornecimento dos imunizantes.

A maioria das vacinas contra covid-19, incluindo as duas atualmente usadas no Brasil —CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac e a da AstraZeneca—, requerem a aplicação de duas doses para imunização.

O intervalo recomendado para aplicação das doses da CoronaVac é de 21 a 28 dias. Já no caso da vacina da AstraZeneca, desenvolvida em conjunto com a Universidade de Oxford e que responde por apenas 17,4% das doses aplicadas no país até o momento, a recomendação do intervalo entre as doses é de dois a três meses.

Dias reafirmou a recomendação no início do mês após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, terem levantado suspeitas sobre as diferenças entre doses entregues e aplicadas. Antes, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, também fez o mesmo questionamento.

Aras tem adotado posições alinhadas às do governo do presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente critica a gestão dos governadores na pandemia, e é apontado como possível postulante a ser indicado a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em julho, quando o ministro Marco Aurélio Mello se aposentará.

* Com informações da Reuters

Saúde