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Média semanal de mortes por covid-19 entre gestantes dobra em 2021

Pesquisadores ainda não sabem o motivo do aumento de mortes entre grávidas - Getty Images
Pesquisadores ainda não sabem o motivo do aumento de mortes entre grávidas Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

17/04/2021 18h54Atualizada em 18/04/2021 07h35

A média semanal de mortes de gestantes por covid-19 em 2021 já é mais do que o dobro do registrado em 2020. O número de grávidas e puérperas (que tiveram filhos há pouco tempo) vítimas da doença, apenas entre 1º de janeiro e 14 de abril, chegou a 80% de todos os óbitos do ano passado.

Em 2020, morreram 453 gestantes, uma média de 10,53 por semana epidemiológica —o estudo considerou apenas as semanas após as primeiras confirmações de óbitos por covid-19 no Brasil. Neste ano, já são 362 vítimas em 14 semanas, uma média de 25,8 a cada sete dias.

O aumento expressivo de 145% é maior até do que a média semanal de mortes em toda a população, que variou 61,6%.

Os dados foram divulgados pelo Observatório Obstétrico Brasileiro, um projeto que reúne cientistas da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e da USP (Universidade de São Paulo).

A estatística Agatha Rodrigues, professora da UFES e coordenadora do observatório, diz que o grupo ainda tenta compreender quais razões justificam esse aumento entre as grávidas. Há uma série de fatores possíveis, desde a diminuição do isolamento à circulação de novas variantes —esta última difícil de verificar, já que o sequenciamento genético do coronavírus ainda é raro no Brasil.

Na sexta-feira (16), o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara, chegou a recomendar, durante a entrevista coletiva promovida pelo Ministério da Saúde, que as mulheres adiem a gravidez por conta da pandemia do novo coronavírus.

Câmara afirmou que, como a gravidez favorece a formação de coágulos no sangue, a covid-19 pode ser prejudicial à gestante, pois também favorece a ocorrência de tromboses. A fala do secretário não tem respaldo científico.

Aumento de óbitos no puerpério

Agatha Rodrigues destaca o aumento de óbitos principalmente no puerpério, período que dura, em média, até a oitava semana após o parto.

"Em 2020, a gente vê que a porcentagem de óbitos entre mulheres com síndrome respiratória aguda grave, diagnosticadas com covid-19, que aconteceram no puerpério era de 14%. Agora, se a gente observar 2021, aumentou para 27,5%. É um número bem expressivo, um indicativo de que algo possa estar acontecendo", diz a estatística.

Para ela, os números destacados pelo Observatório devem ser utilizados para chamar a atenção de gestores públicos para as gestantes."De todas essas mulheres que morreram, 23,2% não tiveram acesso a UTIs", ressalta a pesquisadora.

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