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Coronavírus

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1 mês

Ex-presidente da Anvisa prevê 800 mil mortes por covid até final de 2021

Do UOL, em São Paulo

13/05/2021 13h06Atualizada em 13/05/2021 13h06

O ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e médico sanitarista, Gonzalo Vecina Neto, prevê que o Brasil possa chegar a marca de 800 mil mortes por covid-19 até o final do ano. A declaração foi dada hoje ao UOL News.

"Em dois anos, chegamos em 400 mil mortes, mas, esses últimos 2, 3 meses foram de crescimento muito acelerado. Temos grandes chances de fechar o ano com 800 mil mortes. É o que eu estou estimando até o fim do ano", declarou.

Segundo ele, governantes devem tomar o máximo de providências para diminuir o número de mortes daqui até o momento em que conseguirmos maior cobertura vacinal.

"Isso implica restrições ao funcionamento de comércio, algum modelo de funcionamento de escolas, porque não dá para deixar nossas crianças sem a possibilidade de aprender a socializar, e implica também em distanciamento social, uso de máscara e o funcionamento da CPI [da Covid], que espero que, algum dia, chegue em alguma conclusão".

Vecina ainda diz que todas as mortes que acontecerem no Brasil entre junho e dezembro são responsabilidade do governo federal, que recusou uma proposta da Pfizer em agosto de 2020.

"No Brasil, temos a falta de vacinas. Se tivéssemos acesso à vacina da Pfizer [no começo do ano], provavelmente estaríamos terminando de vacinar nossa população em junho. Isso significa dizer que quem morre de agora até o fim do ano se deverá ao fato de não termos comprado a vacina da Pfizer".

Esses assassinatos que vão ocorrer a partir de agora têm um responsável já declarado".
Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa

"O que acontece nos países que já vacinaram? Para de morrer gente. Eu poderia estar terminando de vacinar em maio, vou terminar em dezembro porque não tenho vacina. De agora até dezembro vai morrer um monte de gente, por quê? Porque não tomaram a vacina. Quem não comprou a vacina? Eu ou ele?".

O especialista também criticou as ações do governo federal, que não fechou fronteiras para países com alta taxa de circulação do vírus. "Os países inteligentes fizeram isso. Por que temos que permitir que os indianos entrem aqui se tem uma variante terrível circulando? Impedir os indianos vai impedir que a variante chegue? Não, vai chegar de qualquer jeito, mas se eu puder postergar a chegada da variante, eu ganho tempo. Se eu ganhar tempo, eu estou chegando mais próximo do momento em que eu vacinarei a todos. Ganhar tempo é fundamental".

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