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Coronavírus

Conteúdo publicado há
3 meses

Diretora da OMS: Não saímos do modo emergencial, mas podemos ser otimistas

Colaboração para o UOL, no Rio

20/01/2022 11h52Atualizada em 20/01/2022 18h37

A diretora-geral adjunta para Medicamentos, Vacinação e Fármacos da OMS (Organização Mundial da Saúde), Mariângela Simão, disse, no UOL Entrevista de hoje, que o mundo ainda não pode relaxar sobre o novo coronavírus. Para ela, ainda não saímos do "modo emergencial" da doença, mas podemos ser otimistas por causa do avanço da vacinação.

"No momento, (o mundo) ainda não saiu do modo emergencial. Não pode ser complacente, porque esse vírus é complicado, tem impacto a longo prazo em algumas pessoas e continua matando", disse Mariângela, em entrevista à apresentadora do Canal UOL Fabíola Cidral e aos colunistas do UOL Jamil Chade e do VivaBem Lúcia Helena.

A médica lembrou que, só na semana passada, a covid-19 matou 45 mil pessoas em todo o mundo. Ela, no entanto, enfatiza que o aumento da vacinação está impedindo uma maior gravidade da doença.

Não pode pensar que agora a gente está com o vírus mais fraquinho e as coisas vão ser resolvidas. Mas, por outro lado, você também tem que ser otimista, porque a gente tem as vacinas que estão funcionando para evitar que as pessoas adoeçam gravemente e morram; você tem medicamentos disponíveis, testes. Você tem um conjunto de coisas que não tinha há um, dois anos.
Mariângela Simão

A diretora da OMS reforçou que o mundo não pode ser complacente com a doença, porque se for "o vírus pode vencer". Ela alerta que o novo coronavírus não provoca uma "gripezinha", nem se tornou benigno.

"O risco de se pensar 'ah, isso aí todo mundo vai pegar, a gente tem que continuar a vida, e vamos tocar para frente'. Isso é ser complacente e vai deixar o vírus ganhar. Há riscos. Esse é o momento de fortalecer as estratégias governamentais para enfrentar esse vírus por mais algum tempo nessa fase pandêmica", disse Mariângela.

Endemia

Mariângela afirmou que a covid-19 deve ser tornar uma doença endêmica, ou seja, iremos conviver com ela permanentemente. Ela ressaltou, no entanto, que é perigoso pensar que não estamos mais em uma pandemia.

Está começando a ficar mais claro que esse vírus não vai desaparecer. Ele tem todas as tendências de se tornar endêmico. Quer dizer que todo ano você sabe que vai ter um número de casos. A tendência é de encaminhar para ser uma doença endêmica. Mas no momento ainda estamos vivendo uma pandemia.
Mariângela Simão

Sobre o pico da variante ômicron no Brasil, a médica acredita que não seja possível precisá-lo. Ela enfatiza, no entanto, que não há motivo para pânico.

"É dificil prever quando o pico vai chegar no Brasil, mas é muito promissor porque o Brasil tem uma base de pessoas vacinadas, tem uma capilaridade no sistema de saúde. Talvez a gente não consiga evitar um número tão grande de casos novos, ainda tem uma parcela da população não vacinada; algumas pessoas vão desenvolver doença grave, apesar de estarem vacinadas, mas é um número muito pequeno", disse Mariângela.

Vacinas

Sobre as vacinas contra o novo coronavírus que estão sendo aplicadas, a médica afirmou que todas ajudam na prevenção da doença e seu agravamento.

Tome aquilo que está disponível para você no momento que o sistema de saúde está oferecendo. Você deve tomar e não suspeitar, 'quero aquela, quero essa'
Mariângela Simão

A diretora da OMS comentou sobre a liberação da CoronaVac para menores de 18 anos. De acordo com ela, a organização ainda está analisando documentos enviados pela Sinovac, laboratório chinês responsável pelo imunizante, com dados de estudos clínicos que confirmem a efetividade da vacina nesta faixa etária.

"Não vi os dados. A OMS precisa terminar de ver a submissão dos dados por parte do laboratório produtor para fazer uma análise com base científica. Esse processo já está andando na Anvisa. Está andando mais rápido até porque a Sinovac está produzindo no Brasil e há interesse do laboratório em acelerar esse processo", disse Mariângela.

Até o momento, a OMS só aprovou o uso da vacina da Pfizer para aplicação em menos de 18 anos. Hoje, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu o aval para o uso da CoronaVac em crianças de 6 a 17 anos.

Mariângela reforça que a tecnologia usada na fabricação da CoronaVac, com a utilização de vírus inativado, é largamente empregada em outras vacinas já usadas no mundo, inclusive em crianças.

"Não há, em princípio, problema com a CoronaVac. O que a OMS ainda está em fase final é a avaliação da indicação para expansão de uma faixa etária", disse Mariângela.

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