Em estudo sobre zika, médicos brasileiros apontam graves danos cerebrais em bebês

Kate Kelland

Em Londres

Cientistas brasileiros que estudam possíveis ligações entre distúrbios de nascimento e o Zika vírus descobriram que bebês nascidos com microcefalia têm graves danos cerebrais com uma série de anormalidades.

Em um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), os pesquisadores disseram que suas descobertas não poderiam provar que o Zika causa a microcefalia, uma má-formação cerebral, mas confirmaram uma ligação e apontaram para as consequências potencialmente graves para os bebês de mães infectadas com o vírus durante a gravidez.

Desde 2015, o Brasil tem relatado milhares de casos suspeitos da doença e os ligou a um surto do Zika vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou em fevereiro que o surto de Zika e suas ligações com a microcefalia constituem uma emergência de saúde pública internacional.

Nesta quarta-feira, autoridades de saúde dos Estados Unidos concluíram que a infecção pelo Zika vírus em mulheres grávidas é a causa da microcefalia e de outros distúrbios cerebrais em bebês.

A OMS também disse que o Zika pode causar a síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica rara que pode resultar em paralisia.

Na pesquisa publicada no BMJ, uma equipe de médicos do Recife e liderada pela professora Maria de Fátima Vasco Aragão analisou os tipos de anomalias e lesões em imagens do cérebro dos primeiros casos de microcefalia associada com o Zika vírus no Brasil.

O estudo envolveu 23 bebês diagnosticados com uma infecção congênita associada com o Zika. Destes, 15 passaram por uma tomografia computadorizada, sete foram submetidos tanto a ressonância magnética quanto a tomografia, e um tinha passado apenas por exame de ressonância magnética.

Os exames mostraram que a maioria dos bebês teve danos cerebrais que eram "extremamente graves", segundo os pesquisadores, "indicando um prognóstico ruim para a função neurológica".

Todos os bebês que passaram por tomografia computadorizada mostraram sinais de calcificação cerebral, uma condição na qual o cálcio se acumula no cérebro. Os pesquisadores disseram que a hipótese é que o Zika vírus destrói as células do cérebro e forma lesões semelhantes a "cicatrizes", nas quais o cálcio é depositado.

Outras descobertas incluíram malformações do desenvolvimento cortical, diminuição do volume do cérebro, e ventriculomegalia - uma condição em que as cavidades cerebrais são anormalmente alargadas.

A equipe também descobriu subdesenvolvimento do cerebelo, que desempenha um papel importante no controle motor, e no tronco cerebral, que liga o cérebro com a medula espinhal e comunica mensagens do cérebro para o resto do corpo.

Todos os bebês estudados nasceram no Estado de Pernambuco entre julho e dezembro de 2015.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos