Cientistas criam embriões humanos de duas semanas em laboratório pela primeira vez

Kate Kelland

Em Londres

  • iStock

Pela primeira vez na história, cientistas desenvolveram embriões humanos fora do corpo da mãe durante quase duas semanas, oferecendo um vislumbre inédito sobre o que afirmam ser o estágio mais misterioso dos primórdios da vida humana.

Anteriormente os cientistas só tinham sido capazes de estudar embriões humanos como cultura em uma vasilha de laboratório até o sétimo dia de desenvolvimento, quando tinham que implantá-los no útero da mãe para que sobrevivessem e continuassem a se desenvolver.

Mas, usando um método de cultura testado anteriormente para criar embriões de rato fora do organismo da mãe, as equipes conseguiram realizar observações quase de hora em hora do desenvolvimento de embriões humanos para ver como eles se desenvolvem e organizam até o 13o dia.

"Este é o estágio mais enigmático e misterioso do desenvolvimento humano", disse Magdalena Zernicka-Goetz, professora da Universidade de Cambridge e co-autora do trabalho. "É um momento no qual a forma básica do corpo é determinada."

O trabalho, apresentado em dois estudos publicados nesta quarta-feira nos periódicos científicos Nature e Nature Cell Biology, mostrou como as células que futuramente formarão o corpo humano se auto-organizam na estrutura básica de um embrião humano pós-implantação.

"O desenvolvimento de embriões é um processo extremamente complexo, e embora nosso sistema possa não ser capaz de reproduzir plenamente cada aspecto deste processo, ele nos permitiu revelar uma capacidade de auto-organização notável... que antes era desconhecida", explicou Marta Shahbazi, pesquisadora da britânica Universidade de Cambridge que fez parte das equipes de pesquisa.

Robin Lovell-Badge, especialista em células-tronco do também britânico Instituto Francis Crick que não esteve diretamente envolvido no trabalho, disse que ele forneceu "um primeiro vislumbre" de como o embrião humano inicial se desenvolve no ponto em que normalmente se implantaria no endométrio, tornando-se invisível e impossível de estudar.

Além de proporcionar um avanço no entendimento da biologia humana, o conhecimento adquirido no estudo destes desenvolvimentos deve ajudar a aprimorar os tratamentos de fertilização in-vitro (IVF) e induzir novos progressos no campo da medicina regenerativa, disseram os pesquisadores.

Mas a pesquisa também chama atenção para uma lei internacional que impede os cientistas de desenvolver embriões humanos para além de 14 dias e sugere que este limite pode ter que ser revisto.

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