Durante Olimpíada, governo distribuirá 9 milhões de camisinhas feitas com látex da Amazônia

Ricardo Moraes

Em Xapuri (AC)

  • Ricardo Moraes/Reuters

    Camisinhas feitas com látex em fábrica do município seringueiro de Xapuri, no Acre

    Camisinhas feitas com látex em fábrica do município seringueiro de Xapuri, no Acre

O governo vai distribuir 9 milhões de camisinhas gratuitamente na região do Rio de Janeiro durante a Olimpíada em agosto, uma ação para estimular o sexo seguro e também defender a floresta amazônica.

O comitê local organizador da Olimpíada afirmou que 450 mil dos preservativos produzidos de forma sustentável serão destinados aos atletas e funcionários alojados na Vila Olímpica.

O restante vai ser disponibilizado para os muitos visitantes que chegarão na cidade em apenas algumas semanas, segundo o Ministério da Saúde.

Todos os preservativos que serão distribuídos são produzidos pela Natex, uma fábrica no Acre, na região amazônica, perto da fronteira do Brasil com a Bolívia.

Ricardo Moraes/Reuters
João Batista Araújo, 34, trabalha como seringueiro em Xapuri (AC) desde criança

Guardiões da floresta

A fábrica, administrada pelo governo estadual do Acre, usa látex colhido de árvores amazônicas por seringueiros que são empregados por um programa do governo cujo objetivo é proteger a tradicional forma de vida e trabalho, incentivar o uso sustentável da floresta e combater os madeireiros irregulares.

Os seringueiros se veem como guardiões da floresta.

Numa saída recente, Raimundo Mendes de Barros, um seringueiro de 71 anos e com uma barba branca, colhia o látex, de aparência leitosa, que pingava dentro de recipientes de metal na base de um número grande árvores. O sol tropical era filtrado pela copa das árvores

Barros falou do seu orgulho sobre a luta dura que ele e outros seringueiros travam para manter a atividade.

"A nossa fábrica, além de garantir o preço da borracha, um preço compensador, dá oportunidade de centenas de empregos para jovens, mães e pais de família", declarou ele. "E oferece ao mundo, e com certeza lá no Rio isso vai estar muito presente, o produto: que é a camisinha, que é um produto que ajuda muito contra as doenças e ajuda no controle de natalidade."

Yasuyoshi Chiba/AFP
Látex escorre de corte feito em seringueira de floresta no Acre

Pressão contra desmatamento

Por décadas, seringueiros como Barros estão na linha de frente da pressão para que os líderes brasileiros façam mais para impedir o desmatamento, causado principalmente pela derrubada ilegal da floresta para atividade agropecuária, plantações de soja e extração de madeira.

A luta, às vezes, tem custo alto, uma vez que fazendeiros e madeireiros podem retaliar. Várias pessoas foram mortas durante os anos tentando proteger a floresta, entre elas Chico Mendes, o ambientalista e seringueiro reconhecido internacionalmente.

O assassinato de Mendes em 1988 em Xapuri, que agora abriga a fábrica de preservativos, ajudou a fazer com que o governo tomasse medidas sérias para combater o desmatamento e a violência contra os defensores da Amazônia.

Há anos o Ministério da Saúde brasileiro distribui milhões de camisinhas da fábrica gratuitamente em grandes eventos no país, principalmente o Carnaval.

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