Estudo confirma maior risco de dengue severa em crianças que receberam vacina

Julie Steenhuysen

Em Chicago

  • Noel Celis/AFP

    Enfermeira mostra frascos da vacina contra a dengue Dengvaxia, desenvolvida pela farmacêutica francesa Sanofi

    Enfermeira mostra frascos da vacina contra a dengue Dengvaxia, desenvolvida pela farmacêutica francesa Sanofi

Uma análise de dados da vacina da dengue da Sanofi, aplicada em mais de 800 mil crianças em idade escolar nas Filipinas, confirma a existência de um risco aumentado de dengue severa e de hospitalizações em crianças que nunca haviam sido expostas à doença, mas receberam a imunização. 

As descobertas, publicadas na quarta-feira (14) na revista científica New England Journal of Medicine, respaldam a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Desde abril, a instituição pede que a vacina só seja aplicada em pessoas que tenham feito exames que atestem que já foram expostas à infecção anteriormente. Mas, atualmente, os testes rápidos da doença não estão amplamente disponíveis.

Em novembro, a Sanofi havia emitido um alerta de que sua vacina poderia aumentar o risco de dengue grave, com base em amostras de sangue de milhares de crianças que a receberam. Um teste recém-desenvolvido permitiu que a empresa determinasse quais crianças haviam sido infectadas anteriormente.

Os autores do estudo calcularam que, se aplicada em 1 milhão de crianças com mais de 9 anos, a vacina poderia prevenir cerca de 11 mil hospitalizações e 2.500 casos de dengue grave. Mas também pode levar a 1.000 hospitalizações e 500 casos graves de dengue em crianças que não haviam sido infectadas anteriormente.

"Com os novos dados, sabemos agora qual é a melhor maneira de utilizar a vacina contra a dengue", disse Su-Peing Ng, chefe médico global da unidade de vacinas da Sanofi.

Em uma infecção natural por dengue, a primeira exposição a uma das quatro cepas do vírus é tipicamente leve. Mas uma segunda exposição a um tipo de vírus diferente pode resultar no estágio mais grave da doença.

Especialistas já suspeitavam que, por ser parcialmente eficaz, a vacina contra a dengue também poderia aumentar o risco da doença grave que requer hospitalização diante da exposição a uma segunda cepa. E o estudo, que inclui dados sobre 2.384 crianças que foram vacinadas e 1.194 que não foram, confirma isso.

"Nossos resultados apoiam a hipótese de que, na ausência de exposição prévia à dengue, a vacina (Sanofi) parcialmente imita a infecção primária e aumenta o risco de dengue grave", escreveram os autores do estudo.

Entre as crianças não infectadas previamente que receberam a vacina, houve um risco significativamente maior de hospitalização entre aquelas com idades entre 2 e 8 anos, e uma tendência de mais hospitalização naquelas entre 9 e 16 anos, como concluiu o estudo.

Para crianças de 9 anos ou mais, que já haviam sido expostas ao vírus, a vacina reduziu as taxas de doença grave e hospitalização em 80% em relação ao grupo controle.

Nos ensaios clínicos da Sanofi, crianças de 2 a 5 anos apresentaram um risco aumentado de hospitalização três anos após receberem a vacina. Mas não ficou claro se isso foi resultado de um sistema imunológico imaturo ou de um problema com a vacina.

Embora não existam bons testes para infecção prévia, os testes atuais podem detectar infecção aguda por dengue, informação que poderia ser útil na identificação de crianças que poderiam se beneficiar da vacina.

As descobertas provavelmente elevarão o nível de segurança que as novas vacinas contra a dengue terão que demonstrar, incluindo aquelas que estão sendo desenvolvidas pela Takeda Pharmaceuticals e pelo governo dos EUA, junto com o Instituto Butantan.

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