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07/06/2005 16h29

Feministas, filósofos e sociólogos polemizam sobre sexo e gênero

Por Laurence Boutreux

PARIS, 7 jun (AFP) - A definição do sexo e do gênero é um tema polêmico em meios científicos americanos e franceses, onde se destaca que "o gênero se constrói socialmente". O Vaticano teme que a "teoria do gênero cause mais estragos do que a ideologia marxista".

Há 15 anos, nos Estados Unidos, uma filósofa feminista de 34 anos, Judith Butler, publicou o livro "Problemas de Gênero - Feminismo e Subversão da Identidade". Desde então, a obra, de difícil leitura, já foi traduzida para 17 idiomas. Recentemente, foi publicada na França, o que deu um novo impulso à discussão.

Sua análise parte do mal-estar que um travesti pode causar, "a partir do momento em que não se sabe se o corpo observado é de um homem ou uma mulher". O travesti poderia ser considerado uma cópia ruim de um original, de um ideal que seria a Mulher.

Judith desenvolve a idéia de que todos nós somos, de alguma forma, "imitações, cópias fracassadas". Tentamos respeitar as normas do gênero e da sexualidade, mas nunca conseguimos totalmente, nem os heterossexuais.

O sociólogo francês Eric Fassin, professor da Escola Normal Superior de Paris (ENS), lança uma pergunta: "Será que, no fundo, o homem que exagera em sua masculinidade, ou a mulher que acentua sua feminilidade, não revelam, tanto quanto a louca mais extravagante ou a lésbica mais masculina, o jogo do gênero e o jogo no gênero?"

Judith, professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, lotou uma sala quando a prestigiosa ENS organizou uma palestra com ela, no fim de maio. A filósofa mora com outra mulher, universitária, e tem um filho.

Nos anos 70, o uso da palavra "gênero" ampliou-se na América do Norte, no lugar da palavra "sexo". A escritora francesa Simone de Beauvoir, autora de "O Segundo Sexo", já dizia: "Não se nasce mulher, torna-se". Judith vai mais longe. Segundo ela, ninguém se torna verdadeiramente mulher. "O gênero não é dado de antemão, e sim é uma atividade realizada de forma ininterrupta, sem querer e sem perceber. É uma espécie de improvisação em um contexto compulsivo".

O Vaticano dedica 35 páginas de seu "léxico dos termos ambíguos e polêmicos sobre a família, a vida e as questões éticas" à "teoria do gênero", desenvolvida fundamentalmente por Judith. "A teoria do gênero causará mais estragos do que os provocados pela ideologia marxista", denunciou na semana passada, em Paris, o monsenhor Tony Anatrella, enviado pela Santa Sé para apresentar a versão francesa do léxico, publicado pelo conselho pontifício para a família.

No capítulo "novas definições do gênero", o léxico considera a rejeição aos papéis desempenhados na sociedade pelo homem e a mulher "o início de uma nova cultura, que exclui o matrimônio, a maternidade e a família, e que aceita todos os casos possíveis e imagináveis de prática sexual".





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