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24/09/2008 - 16h56

"Guia de Sobrevivência do Careca" não tem a menor graça

Editor do UOL Tablóide Da Redação

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Humor? Passou longe...

Humor? Passou longe...

Não tem a menor graça. O "Guia de Sobrevivência do Careca" (Editora Matrix, 2008), do autor britânico de humor Tim Collins, é daqueles livros que pretendem fazer rir sem ter de ser lido. Um sujeito compra para dar de presente a alguém que, sabidamente, vai se irritar com o título e pronto, está garantida a gargalhada peluda. O careca (ou quase) presenteado fica ali, com aquela cara de tacho. Intenção, aliás, de quem pediu a este editor que escrevesse sobre a publicação.

Mas fui a fundo para ver se a piada tinha consistência. Foram quase duas horas de leitura atenta para concluir que o guia é tão tolo quanto os homens que acham que a careca é dos outros. Não deu nem para ter o sorriso de canto de boca. À parte a recuperação histórica da introdução, em que o autor deixa clara a superioridade evolutiva dos sem-cabelos (primatas são cabeludos, e homens avançados, carecas), o livro não sabe do que está falando.

No capítulo "As dez maiores vantagens de ficar careca", por exemplo, que graça tem elencar vantagens como não precisar mais escolher corte de cabelo ou ir ao barbeiro? Rá, rá, rá... alguém aí riu? Também não parece engraçado dizer que os calvos ajudam na preservação do planeta, já que não utilizam energia para secadores e chapinhas, além de economizar lixo de embalagens de xampu.

Nada a ver. Este editor, que adotou o visual de cabelo zero desde os vinte e poucos anos, usa xampu e, às vezes, também o secador de cabelos para desembaçar o espelho do banheiro.

A desinformação do escritor segue no capítulo "As causas da calvície", em que desfilam bobagens do tipo "calvície é provocada por penteados muito esticados" ou "barba longa usa a cota de cabelo da cabeça". Pior ainda, diz que masturbação faz cair cabelos, sendo que é exatamente o contrário, como todo homem peludo sabe... Ou não?

Mas o pior do livro está nos capítulos "Os sex symbols da calvície" e "Apelidos e xingamentos". No primeiro, Collins cita como exemplos os atores Bruce Willis e Vin Diesel. Qual é o careca que vai se orgulhar de ter ícones canastrões? Agora, citar Zidane e os gols que o careca fez contra o Brasil na copa de 1998 é ousadia demais para um inglês.

Não satisfeito em insultar os calvos com meias palavras e nas entrelinhas, o autor segue divulgando xingamentos travestidos de alerta. "Tobogã de piolho", "aeroporto de mosquito", "bola 8" e "pouca-telha" são alguns dos adjetivos que o inglês resolveu imortalizar no livro.

Por estas e outras, não se engane, caro amigo calvo - e o não-calvo também. O "Guia de Sobrevivência do Careca" é o contrário do que se propõe. Trata-se de diversão barata e de mau-gosto para cabeludos hedonistas e insatisfeitos com sua aparência. Para você, companheiro evoluído e viril, basta a frase do astronauta John Glenn: "Se há homens que querem desperdiçar a generosidade de Deus usando seus preciosos hormônios para fabricar cabelos, o problema é deles".

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