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05/03/2009 - 19h31

Banco Imobiliário, o jogo que tinha a crise dentro de si

Editor do UOL Tabloide Em São Paulo

Reprodução

O sernhor de bigodes que é a imagem do jogo tenta salvar uns trocados diante da crise

O sernhor de bigodes que é a imagem do jogo tenta salvar uns trocados diante da crise

Quando o Editor do UOL Tabloide era pequenino, de pé no chão, ganhou um jogo chamado Banco Imobiliário. Muita gente deve conhecer. O nome dele podia ser mudado, agora, para algo como "Jogo da crise do subprime", "Jogo da estatização do Citibank", "Será que dá pra confiar nas agências de classificação de risco?" - ou, simplesmente, "Marolinha".

Mas não, resolveram dar um nome mais americano para ele - na verdade, o original - e o nosso Banco Imobiliário virou Monopoly, justamento no momento de maior crise da globalização econômica.

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    O jogo que ensinou ao mundo a verdade do mundo das finanças, na versão luxo (já estatizada?)

Como todo jogo, o Banco Imobiliário ensina muita coisa. Uma das primeiras regras que você aprende é que, se você quer ganhar, tem de gastar o que tem e o que não tem comprando as cartelinhas que vão render aluguéis de casas e hotéis. Mesmo que não tenha nenhum dinheiro. O negócio é empurrar as dívidas com a barriga, até passar no ponto de partida e ganhar 200.

Se não tem como pagar, hipoteque o que tem. Se um colega generoso resolve emprestar a juros ou sem juros, compre também e amplie sua dívida. Depois esse mesmo colega vai ter de pagar você de volta e você vai ser implacável na cobrança!

Os inventores do jogo, certamente, acreditam na democracia liberal e no fim da história como propôs Fukuyama. Portanto, o jogo, como o capitalismo, não tem fim, até que você acabe com o último homem - ou seja, o leve à falência. Precisa ter muita paciência para ganhar o jogo, na verdade. Na verdade, se todos tiverem paciência, o jogo não acaba nunca.

As regras inconsequentes do Banco Imobiliário fazem parte do dia-a-dia do mercado financeiro. Por outro lado, assim como a fábrica do brinquedo, os agentes financeiros não pararam de imprimir dinheiro na forma de apostas malucas chamadas investimentos. Tudo com aval de Bancos Centrais independentes, que funcionam mais ou menos como o banqueiro do Banco Imobiliário - em geral, um dos jogadores acumula a função de banqueiro e de jogador, com resultados mais ou menos conhecidos.

E estamos aí, no fundo do poço, minha gente... E como ensina a professora de strip poker, não existe jogo inocente.

Finalmente, uma pergunta: faz sentido jogar Banco Imobiliário/Monopoly nos dias de hoje?

Sinceramente, o Editor do UOL Tabloide acha mais proveitoso pegar a grana e pagar as dívidas. Aquele papel já deve estar valendo tanto quanto o dólar, e já é tão real quanto o real.

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