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10/03/2009 - 16h00

Quem vigia o Editor do UOL Tabloide? Uma crítica a "Watchmen - O Filme"

Do UOL Tabloide Em São Paulo

Divulgação

Editor do UOL Tabloide desafia: olhe nos olhos de Rorschach

Editor do UOL Tabloide desafia: olhe nos olhos de Rorschach

Quis custodiet ipsos custodes?

(Antes de a crítica começar: o Editor do UOL Tabloide, homem metido que é, sempre quis começar um texto em latim. E finalmente chegou a hora. Quero agradecer ao diretor Zack Snyder, por filmar "Watchmen - O Filme", e o roteirista Alan Moore e o ilustrador Dave Gibbons por terem criado a HQ "Watchmen" justamente em cima dessa frase, "Quis custodiet ipsos custodes?", que significa "Quem vigia aqueles que nos vigiam?". Abração para vocês três!)

Enfim... Há muitos séculos, o poeta romano Juvenal, em uma de suas sátiras, questionou: quem vigia aqueles que nos vigiam? Aqueles que apontam o dedo para o nosso nariz e dizem coisas como... "Anda na linha ou você vai preso!"; "Reza mais alto que assim baixinho não vale!"; "Emagreça dois quilos que a revista de estética e saúde falou que seu peso ideal, obtido com uma conta que envolve seu peso e sua altura, não é isso aí que você está pesando!". OK, essa última frase é uma baita reinterpretação histórica, mas o sentido é esse.

"Watchmen", a HQ

Reprodução
"Watchmen", a história em quadrinhos, foi publicada de 1986 a 1987 como uma minissérie em 12 edições.

Além de ser muito bem escrita (parabéns, Alan Moore!) e ilustrada (parabéns, Dave Gibbons!), trouxe uma visão original para o conceito de super-heróis.

O gênero surgiu em 1938 com a aparição do Superman e tinha seus clichês: heróis fantasiados, com identidades secretas e, às vezes, poderes, enfrentavam vilões fantasiados, com identidades secretas e, às vezes, poderes.

Em "Watchmen", o esquema bem versus mal ruiu: todos os personagens têm lados bons e maus.

Lançada no mesmo ano que "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (que também apresentava um lado humano e sombrio), "Watchmen" resultou em mudanças nos quadrinhos norte-americanos de super-heróis. As histórias se tornaram mais sombrias e violentas.

Valeu a pena? Era melhor quando as histórias de super-heróis eram pura fantasia ou ficaram melhores quando viraram pura fantasia, mas com um lado sombrio querendo se aproximar da realidade?

Quem sabe responder? Quem sabe o mal que se esconde sob o coração dos homens?

Quem vigia os super-heróis?

Afinal, quem você pensa que é para ficar me julgando, hein? Não, internauta, não estou falando com você, estou tentando "entrar no clima" do filme... E da HQ. "Watchmen", a história em quadrinhos, era demais, viu (leia ao lado).

E agora veio o filme. Depois das críticas, aliás. Muito fã começou a reclamar só ao saber que o filme seria feito. Por quê? Porque "Watchmen" é "infilmável". Curioso... Viu alguém explicar por quê? Nem eu.

Mas, enfim, não adiantou prender a respiração até ficar roxo, ameaçar o suicídio ou ir reclamar com o prefeito. O filme foi feito.

Zack Snyder, o diretor, tinha dois caminhos: ser o mais fiel que desse à obra; ou inovar.

Em "300", seu filme anterior, Snyder optou pela opção "a": foi muito fiel à HQ "Os 300 de Esparta", de Frank Miller. Os figurinos, os cenários, até as tomadas das cenas: tudo era parecido, igual. Um filme de fã.

Já o mesmo quadrinista Frank Miller, do parágrafo acima, tomou opção diferente quando esteve do outro lado da câmera. Miller lançou este ano o filme "The Spirit", filme que estreia até o final do mês no Brasil e que leva para o cinema o personagem Spirit, criado por Will Eisner. Miller decidiu criar "o Spirit por Frank Miller" e mudou tudo: a cor do uniforme; deu super-poderes ao Spirit, o que não ocorre nas HQs etc. Etc. E, claro, etc.

Qual dos dois caminhos está certo? "Fidelidade" ou "reinterpretação"? Na opinião deste humilde (humilde?) escriba, ambos. Tanto faz. Se o filme ficar bom, então tá bom, ué.

Enfim, Snyder decidiu ser mais "fiel" do que "reinterpretativo". Claro que, na mudança, muito se perdeu, como as duplas narrativas (um mesmo recordatório narrando duas histórias diferentes) e algumas "histórias de fundo" de alguns personagens. Mas há a trilha sonora e os efeitos sonoros, as belas cenas de ação e a inovadora introdução, ao som de Bob Dylan, com cenas apresentadas como se fossem belíssimas pinturas em movimento (isso é possível?)...

E, claro, há a pergunta que não quer calar:

Quem vigia os vigilantes?

Pergunta essa que leva a outras perguntas:

Quem vigia "Watchmen - O Filme"? Os críticos de cinema e os fãs de "Watchmen", a HQ, que não gostaram do filme.

Quem vigia "os fãs de "Watchmen", a HQ, que não gostaram do filme? Os fãs de "Watchmen", a HQ, que gostaram do filme.

Quem vigia os críticos de cinema? Boa pergunta. Se o filme não tivesse sido fiel à HQ, teria sido criticado. Foi fiel, também foi criticado (um exemplo aqui: Excesso de fidelidade a gibi atrapalha "Watchmen").

O Editor do UOL Tabloide gostou bastante do filme, embora prefira a HQ. Mas recomendou o filme a todos os seus amigos e conhecidos, e os dois disseram que cogitam assistir.

E quem vigia o Editor do UOL Tabloide? Ah, isso nem que os heróis "Watchmen" fossem de carne e osso. Só, quem sabe, se existisse um grupo formado por Rorschach, Batman, Capitão Nascimento, Jack Bauer, John Rambo e, claro, o líder, Chuck Norris.

  • Isso sim é uma equipe casca-grossa: já pensou, um grupo de super-heróis formado por Rorschach, Batman, Capitão Nascimento, Jack Bauer, John Rambo e o líder Chuck Norris?

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