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30/09/2009 - 12h30

Com a mão amarela, Sub da Sub elogia o livro "A Arte de Peidar"

Da Sub da Sub Em São Paulo

A capa do livro, deitado na mesa da Sub da Sub

A capa do livro, deitado na mesa da Sub da Sub

Todo mundo tem suas leituras de banheiro. A Sub da Sub (repare no tratamento majestático da terceira pessoa para falar de si mesmo) também.

A seção Tabloide Critica de hoje é sobre um livro que trata de um assunto proibido. Tabu mesmo. Ninguém gosta de falar dele, especialmente no elevador.

Constrangida e com a mão amarelada, a Sub da Sub confessa: passou seus horários de reclusão desta semana lendo um opúsculo, um livreto, fininho e provocador, chamado "A Arte de Peidar" (Phoebus. 96 págs., R$ 23).

  • AFP

    No Iraque, soldado britânico toca gaita de fole em frente a tanque britânico: peido é música ou é declaração de guerra?

A Sub da Sub foi pautada (leia-se obrigada) para escrever sobre o livro pelo Editor do UOL Tabloide. O problema é que ela adorou. Por isso, em vez de criticar, ela vai elogiar.

O melhor do livro "A Arte de Peidar" é a sua vontade explícita de tratar do escatológico como uma diversão. Nenhuma de suas teses é séria: estamos diante de paródia de tratados médicos, de discursos filosóficos, de conversas do dia-a-dia.

Quando seu autor, Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut (tratado daqui pra frente apenas como Hurtaut, para economizar papel-higiênico, onde foi esboçada esta crítica) a escreveu, não era exatamente uma novidade - aliás, pensando bem, o que nasceu primeiro, o peido ou a galinha? Especialistas na arte escatológica, informa o prefácio erudito de Antoine de Baecque, chegaram a considerá-lo apenas um plagiário, que teria simplesmente traduzido um tratado anônimo escrito em latim em 1628.

Ah, faltou, até agora, dizer: "A Arte de Peidar" foi escrita no ano longíquo de 1751 - e você ainda tem medinho da palavra pum, né, internauta?

Mas deixemos a superfície para remexer nas vísceras do livro. Hurtaut define seu objeto flatulento: "O peido é assim, de modo geral, um vento acondicionado no baixo-ventre", começa. "Este ser se manifesta pelo ânus, seja com estrondo, seja sem estrondo: ora a natureza o expulsa sem esforço, ora invoca-se o socorro da arte que, com a ajuda desta mesma natureza, outorga-lhe um nascimento fácil, causa de deleite, e muitas vezes até de volúpia", completa.

Se você não quer confessar que, pelo menos uma vez na vida, sentiu-se mais leve ao deixar vazar seu pneuzinho, a Sub da Sub dá a mais singela das explicações: isso é fisicamente comprovável. Portanto, liberte-se!

Mas o livro vai mais longe: divide os peidos em vocais (como os petardos), ou peidaços, ditongos ("em que se pode distinguir uma articulação de sílabas ditongais como estas: pa, pa pax, pa pa pa pax, pa pa pa pa pax etc."), semivocais, ou peidinhos. Há ainda o peido claro, o aspirado, o médio.

  • A sanfona do velho Lua: forró com esse fole é forró número um!

É importante, porém, deixar claro que o autor separa o peido clássico, "um ruído sem cheiro" , do "peido feminino", chamado de bufa e fedorento. Para a Sub da Sub, isso é pura demonstração de um machismo típico do século 18 e o ponto mais frágil do livro: para ela, o peido e a bufa são a mesma coisa, ou seja, pum, pum, pumpum.

Um capítulo, no entanto, toca numa questão central para a discussão entre pum e arte: "Seriam os peidos música"? Hurtaut defende que peidar é uma arte e é, consequentemente, útil à vida.

Para encerrar a discussão, a Sub da Sub responde com a letra "Forró nº 1", de Luiz Gonzaga, que sabia das coisas:

"Sanfona velha
Do fole furado
Só faz fum, só faz fum,
Mesmo assim o sanfoneiro faz um resfungado
E o coração da morena faz tum tum
O sanfoneiro animado puxa o fole
Depois de tomar um gole de rum
E haja fum, haja fum, haja fum
Forró com esse fole é forro número um."

E você, acha que o assunto peido é tabu? Ou acha que soltar bufas é realmente uma arte? Critique, meta a boca no trombone e comente o que acha lá no Tablog, o blog do Editor do UOL Tabloide.

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