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17/11/2009 - 17h03

Nem o papa foi tão pop quanto as eleições de 1989

Do Editor do UOL Tabloide Em São Paulo
  • Tabloide Critica também faz parte do Especial das Eleições de 1989

    Tabloide Critica também faz parte do Especial das Eleições de 1989

Como diria aquele barbudo do Engenheiros do Hawaii (banda que muita gente conheceu sem merecer) que imita o Editor do UOL Tabloide, "o pop não poupa ninguém" (para quem não sabe do que se trata, aqui vai ela todinha, inclusive com o verso que está no título desta crítica).

E, se não poupou ninguém, as eleições presidenciais de 1989 entraram pela história por vários motivos. Aqui, trataremos apenas das questões aparentemente menos sérias.

Por exemplo, o uso de artistas na campanha.



Autor do 'Lula-Lá' explica a criação

Nunca antes na história deste país tanto artista fez campanha política. Muita gente lembra do coral puxado por Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque cantando "Lula-lá".

Mas já não são tantos que sabem, por exemplo, que José Mayer - sim, ele, o cara que mandou o Chucky Norris lavar a latrina do mocó arrebentado pelo capitão Nascimento - fez campanha para Leonel Brizola ao lado da mulher mais bonita do Brasil na época (só na época?), Maitê Proença, hoje famosa por reportagens infelizes sobre Portugal.

Não só: Alexandre Frota, o Frotinha, na época um rapazola quase frágil se comparado com sua fisiocultura de hoje, aliou-se à beldade gigante Claudia Raia para embalar os programas de TV que fizeram Fernando Collor ganhar pontos e pontos no ibope. Aliás, como disse alguém no twitter, "Collor foi o presidente mais Max Steel da República brasileira".

Tião Macalé ficou mais importante que o candidato para quem fazia campanha, Affonso Camargo, o homem que conquistou o voto do Bozo (pelo menos, ele acreditava nisto; dúvida? Assista ao vídeo da propaganda dos nanicos).

Olhando pelo retrovisor, é tudo muito ridículo. O incrível é que parecia fazer sentido.



Jingles de Lula, Collor, Silvio Santos e mais

Para muita gente, parecia tão lógico que Silvio Santos podia governar o Brasil. Até ele acreditou que podia sem resistência passar todo mundo na reta final e chegar lá. Pôs até sua agência de publicidade para bolar um jingle bem complexo: "É o 26 / é o 26 / com Silvio Santos / chegou a nossa vez".

Passados 20 anos, a eleição de 1989 deixou como legado a ideia de que, tanto quanto Michael Jackson ou Madonna, um político pode ser pop.

E os políticos pop de 1989 continuam por aí.

Collor, após o impeachment de 1989, conseguiu voltar ao Senado e hoje canta "Lula-lá". Lula está lá, discursando no Palácio do Planalto com sua voz de "pato rouco", com definiu o filósofo Sérgio Mallandro, e assistindo ao Cristo Redentor decolar na capa da "Economist" enquanto recorre a um monte de metáforas para explicar o país.

Brizola, Covas, Aureliano e Ulysses já não estão no meio de nós, mas Afif, Maluf, Caiado e Gabeira circulam por aí, cada um representando um papel mais ou menos parecido com o que interpretavam duas décadas atrás. Caiado, infelizmente, já não se deixa fotografar com seu cavalo branco, mas Gabeira insiste em usar coletes que parece pegar emprestado do ministro Carlos Minc.



A propaganda de TV dos nanicos

Fora isto, havia os candidatos que, por ingenuidade, esperança, excesso de confiança, maluquice ou esperteza, achavam que iam chegar lá. Não chegaram. Mas a internet está aí para permitir que a gente volte a rir com eles.

Na eleição de 1989, o Brasil aprendeu que não era só Hans Donner, que colocava mulheres peladas no começo das novelas antes de se casar com Valéria Valenssa, que sabia fazer vinhetas cheias de cor.

Aprendeu que para conquistar o voto dos adultos os candidatos podiam fazer campanhas para as crianças. Aprendeu que o político, como o cantor de música de corno, fala para o coração, não para a razão. Aprendeu até que dava para afastar quase numa boa o político eleito, se fosse o caso.



E você, caro eleitor?

Você votou em 1989? Meta a boca no trombone, ou melhor, nas primeiras eleições pós-ditadura

Enfim, 1989, por incrível que pareça, deixou boas lembranças. Por isso que todo mundo tem de ver o especial do UOL Notícias.

A Sub da sub disse que gostou do texto, mas achou que essa última frase está cheirando a marketing. Em 2010 tem eleição, seria isso um treino do Editor do UOL Tabloide? Quem viver, verá!



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