Governo francês proíbe tradicionais sótãos

Da Redação
Em São Paulo

Os românticos podem até ficar tristes com a decisão do governo francês de proibir as residências em sótãos de Paris, que durante muito tempo foram o lar dos artistas, mas os estudantes que hoje ocupam a maioria dos pequenos quartos no alto dos prédios não deverão sentir falta desse tipo de acomodação.

Durante séculos, artistas em busca de fama e fortuna habitaram a "chambre de bonne" (quarto de empregada), com espaço apenas para um colchão e uma mesa, e às vezes baixo demais para permitir que uma pessoas fique de pé sem bater a cabeça no teto.

Mas as novas regras sobre o tamanho mínimo e as condições de vida nos 170 mil sótãos da França entraram em vigor na semana passada, exigindo que os proprietários façam melhorias drásticas no espaço e nas acomodações dos sótãos.

"Pode ser engraçado ficar em um quarto assim por uma noite, para ver como as pessoas viviam alguns séculos atrás, mas os estudantes não deveriam ser obrigados a morar em museus", disse Isabelle Dumestre, chefe do departamento de habitação do maior sindicato estudantil da França.

"Não há nada de romântico em adquirir tuberculose, que é uma doença do século 19, mas com paredes úmidas e banheiros comunitários, é isto o que acontece", disse.

O tamanho médio de um sótão é atualmente de cinco metros quadrados, com a altura limitada pela inclinação do teto, disse Dumestre. Os inquilinos não contam com água corrente e precisam usar banheiros comunitários. No inverno, passam frio. No verão, têm falta de ar.

A grande maioria desses aposentos é alugada em Paris, onde os estudantes aceitam o que conseguem encontrar.

"Não há espaço para uma geladeira. Os estudantes precisam pendurar a comida nas janelas, em sacos plásticos. Os quartos são frios, então ligam um aquecedor elétrico, o que é perigoso. Eles precisam andar curvados e não têm espaço para um guarda-roupas. Nada disso é producente para o estudo", afirma Dumestre.

De acordo com as novas regras, os quartos precisam medir no mínimo 20 metros cúbicos e ter grades de segurança nas janelas, água quente na torneira e no banheiro e local para cozinhar.

Os proprietários que não obedecerem às exigências serão forçados por lei a melhorar o aposento ou reduzir o valor do aluguel.

Dumestre aprova as novas medidas, mas está ciente de que podem provocar a redução na oferta de apartamentos para os 400 mil estudantes da capital francesa.

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