Recém-nascido que cresce rápido tem mais chance de virar obeso

Da Redação
Em São Paulo

Um alerta para os pais: os bebês que crescem muito rápido durante os quatro primeiros meses de vida têm mais chances de virar gordinhos no resto da infância e na vida adulta, não importa o peso com que tenham nascido, disseram pesquisadores dos Estados Unidos.

De acordo com os cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, é durante esse período que os padrões de apetite e as tendências do cérebro para a alimentação acontecem. Então, os bebês que comem demais no início da vida vão provavelmente manter esse hábito mais tarde.

Uma solução simples apontada pelos pesquisadores é amamentar a criança por um ano ou um período ainda maior caso seja possível.

"Não quero dizer às pessoas para criarem um dieta para os bebês", disse Nicholas Stettler, pediatra especialista em nutrição do Hospital Infantil da Filadélfia.

O estudo, que analisou dados de 19 mil crianças nascidas entre 1959 e 1965 nos EUA, foi publicado na última edição da revista "Pediatrics".

"Acho que a recomendação é o que a Academia Americana de Pediatria (AAP) sugere: é essencial amamentar o bebê por seis meses. Não é necessário adicionar outros alimentos nesse período."

A AAP sugere que alimentos sólidos devem ser acrescentados gradualmente na alimentação infantil a partir do sexto mês, mas a amamentação materna deve continuar até o primeiro ano.

Seguindo recomendações médicas, muitos pais começam a dar alimentos sólidos no quarto mês de vida, mas estudos recentes mostram que isso não é o ideal. O importante, entretanto, é garantir que o bebê esteja bem alimentado.

Os bebês que comem as "papinhas" prontas ingerem muitas calorias, relatou Stettler. "Sabemos que o leite materno aumenta o peso do bebê mais devagar que as papinhas e com isso, eles têm menos probabilidade de ser obesos."

O especialista também alertou que as crianças que ganham muito peso rapidamente são mais propensas a apresentar doença cardíaca.

Pesquisas feitas com ratos mostraram que a alimentação afeta o cérebro. "Os ratos que comiam muito nos primeiros dias de vida apresentaram mudanças na região do cérebro que regula o apetite", afirmou Stettler. "Algo similar pode estar acontecendo com os humanos."

"Existem muitos estudos que demonstram, especialmente antes do nascimento, que os bebês com inibição do crescimento intrauterino têm mais chances de ter pressão sanguínea elevada, diabete e doença cardiovascular", explicou Stettler, dizendo que alimentar um bebê é um fator que exige um equilíbrio cuidadoso.

"Na maior parte do tempo, com exceção de situações incomuns, a maioria das mulheres têm leite suficiente para alimentar seus bebês", acrescentou ele. Mesmo as mulheres subnutridas estudadas na África tiveram filhos saudáveis enquanto os amamentavam.

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