Funcionários de ajuda humanitária trocam comida por sexo

Da Redação
Em São Paulo

Vários funcionários de agências humanitárias foram flagrados forçando crianças refugiadas da África Oriental a ter relações sexuais em troca de comida e remédios enviados para salvar suas vidas, informou uma das agências nesta terça-feira.

A agência britânica "Salvem as Crianças" disse que um estudo, feito depois que garotas da Libéria, Guiné e Serra Leoa denunciaram exploração sexual, revelou um nível impressionante de abusos envolvendo 67 funcionários de 40 agências humanitárias.

O relatório completo, encomendado pela Salvem as Crianças e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), deve ser publicado em meados de março, mas alguns dados já foram divulgados.

"Não foi uma surpresa porque as garotas já haviam denunciado a exploração sexual. O que surpreende é a escala desta exploração", disse Jane Gibril, diretora da Salvem as Crianças para a Libéria e Costa do Marfim.

"O relatório indica que há muita troca de serviços sexuais por serviços humanitários. Comida, medicamentos, lotes de terra, tudo isso tem sido usado na obtenção de favores sexuais", disse Gibril, falando da capital da Libéria, Monróvia.

Centenas de milhares de pessoas fugiram por causa de 12 anos de conflitos bárbaros na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Muitas destas pessoas sobrevivem apenas com a ajuda das agências humanitárias.

As crianças são vítimas frequentes dos confrontos da região -- são mutiladas, estupradas, obrigadas a aderir a facções ou levadas à prostituição pela pobreza.

Gibril afirmou que a maior parte dos envolvidos na exploração sexual de menores é de funcionários locais. Entre eles estão dois voluntários da Salvem as Crianças e um membro da agência, todos eles já demitidos.

Segundo ela, também foi constatada exploração sexual por parte de membros estrangeiros da missão de paz das Nações Unidas em Serra Leoa.

"O importante agora não é fazer uma caça às bruxas, mas colocar as estruturas no lugar para assegurar que as crianças e jovens estejam completamente protegidos", disse Gibril. "O estudo é uma peça muito importante porque vai revolucionar o modo como trabalhamos", acrescentou.

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