Megatsunamis ameaçam todas as cidades litorâneas, segundo estudo

Da Redação
Em São Paulo

Um dia, uma onda gigante pode atingir o porto de Sydney (Austrália), varrer as praias da Califórnia (EUA) ou desabar sobre os campos de golfe da costa nordeste da Escócia.

As megatsunamis (megaondas) aconteceram com uma frequência maior do que a ciência moderna parece querer acreditar, e nenhuma região costeira está a salvo, afirma o geólogo canadense Edward Bryant.

Segundo o cientista, foram encontrados sinais de ondas gigantes de até 130 metros de altura que atingiram o sudeste da Austrália, a Costa Oeste norte-americana e a região escocesa ao norte de Edimburgo.

"Acredito que o campo de golfe de St. Andrews (Escócia) é um depósito deixado por uma tsunami", afirmou Bryant, chefe do departamento de geociências da Universidade Wollogong, ao sul de Sydney.

Nos últimos 2.000 anos, as tsunamis mataram oficialmente 462.597 pessoas apenas na região do Pacífico.

Entre os maiores desastres está o terremoto de Lisboa (capital portuguesa) de 1755, que teria detonado uma onda de 15 metros de altura. A onda destruiu o porto da cidade e provocou danos no sudoeste da Espanha, no oeste de Marrocos e no Caribe.

A ciência moderna responsabiliza os terremotos pelas ondas gigantes e a maior parte dos países do mundo considera-se protegido delas.

Mas em seu livro "Tsunamis -The Underrated Hazard" (Tsunamis - O perigo subestimado), Bryant argumenta que deslizamentos de terra submarinos, vulcões que entram em erupção debaixo d'água e mesmo a eventualidade de uma colisão de um meteoro devem ser computados ao se determinar o risco representado pelas tsunamis.

Tudo isso significa que uma onda que se movimente a 900 quilômetros por hora em águas profundas, a 300 quilômetros por hora a média profundidade e a 36 quilômetros por hora na superfície poderia atingir qualquer cidade costeira do mundo, matando milhares de pessoas.

Em 1989, Bryant estava estudando a evolução das plataformas rochosas costeiras e das barreiras de areia no Estado de Nova Gales do Sul, Austrália, quando notou algo estranho.

O cientista achou pedras gigantescas, algumas do tamanho de vagões de trem e pesando até 100 toneladas, comprimidas em um fenda no topo de uma plataforma rochosa. A plataforma, localizada 33 metros acima do nível do mar, estava protegida de tempestades marítimas comuns.

Isso não poderia ser explicado pela ação normal das ondas ou tempestades. "Mas uma tsunami poderia ter provocado isso", disse Bryant.

Segundo o cientista, é "ingenuidade" basear o que sabemos sobre as ondas gigantes na história recente, e documentada, da humanidade.

Na América do Norte e na Austrália, a história oficial chega apenas até o início da colonização européia. Para Bryant, é preciso levar em conta os relatos dos povos nativos, como os dos índios da América do Norte e os dos aborígenes da Austrália.

"Ignoramos toda a história oral", afirmou o geólogo à Reuters.

Uma lenda aborígene fala sobre a queda de 1 dos 4 pilares que sustentam o céu no leste. À queda do pilar seguiu-se a invasão do mar.

O povo kwenaitchechat, da Costa Oeste norte-americana, conta que um grande abalo terrestre fez com que o mar retrocedesse e depois voltasse na forma de um grande muro de água.

"A única certeza nas previsões é que isso acontecerá de novo, a qualquer momento, em alguma área costeira perto de você", conclui o cientista.

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