Irã quer superar Barbie com bonecas islâmicas

Da Redação
Em São Paulo

O Irã espera que bonecos vestindo trajes tradicionais islâmicos tomem o lugar da Barbie, na mais recente ofensiva lançada por Teerã contra a chamada invasão da cultura ocidental.

A República Islâmica do Irã, criada há 23 anos, trava uma batalha constante para combater a "perversa" cultura ocidental no país, impondo os rígidos códigos islâmicos de vestimenta e proibindo a música ocidental e a televisão estrangeira via satélite.

Os bonecos gêmeos - Sara, a mulher, e Dara, o rapaz - chegaram às vitrines das lojas esta semana com diferentes modelos de trajes tradicionais. Entretanto, diferentemente de seus primos ocidentais, não é possível tirar ou trocar sua roupa.

Em 1996 o Irã declarou a Barbie, criada pela empresa americana Mattel, um brinquedo não-islâmico e ordenou sua retirada das lojas.

Mas a esbelta beldade loira ainda pode ser comprada abertamente nas lojas de Teerã e é muito apreciada pelas meninas iranianas. O Irã anunciou que iria criar Sara e Dara ainda em 1996, mas problemas técnicos atrasaram a produção.

"Com sua aparência oriental, Sara e Dara vão contra a invasão cultural do Ocidente e os modelos masculino e feminino ocidentais propagados pelos bonecos e brinquedos fabricados nesses países", disse Mohsen Chini Foroushan, diretor do Centro para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes.

Por enquanto, porém, as vendas de Sara e Dara andam muito fracas.

"As meninas de 5 a 16 anos só perguntam pela Barbie e seus acessórios", disse o dono de uma loja de brinquedos em Teerã.

Muitos pais se incomodam com essa insistência de suas filhas em ter uma Barbie e seus acessórios. Outros dizem que as bonecas Barbie são um péssimo modelo a seguir.

"Sou professora universitária e não quero que minha filha vire uma consumista, alguém que só pensa em sua aparência", disse Parvin, 38.

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