Cientistas descobrem 'hormônio do apetite'

Da Redação
Em São Paulo

Cientistas britânicos anunciaram nesta segunda-feira que isolaram um "hormônio do apetite" que estimula notavelmente o consumo de alimentos em humanos. A descoberta aumenta as perspectivas de novos tratamentos para a obesidade e até mesmo para a subnutrição.

"Atualmente, existem tratamentos médicos pouco eficazes para a obesidade e estamos entusiasmados por ter dado este passo para uma futura terapia", disse Alison Wren, do Imperial College, em Londres.

Muitos mecanismos de controle do apetite estão no cérebro. Mas, segundo Wren, o "ghrelin" - palavra hindi que significa crescimento - é o primeiro hormônio do tipo que circula no sangue a ser isolado.

"Tenho certeza de que a indústria farmacêutica está observando essa pesquisa. Esperamos que, ao atingir o ghrelin com remédios específicos, seja possível controlar o apetite de forma terapêutica", disse a pesquisadora.

"As vantagens desse tipo de terapia podem se prolongar para além do tratamento de pacientes obesos e incluir condições que induzem a uma perda de apetite perigosa, como nos casos de câncer", afirmou Steven Bloom, chefe do Departamento de Medicina Metabólica do Hospital Hammersmith, em Londres.

"Em casos como esses, suplementos de ghrelin poderiam ajudar a normalizar os padrões de alimentação".


Os pesquisadores já sabiam que o hormônio estimula o apetite em ratos. Agora, eles demonstraram que o ghrelin também faz com que as pessoas comam um terço mais do que o normal.

O estudo, publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, acompanhou cinco homens e quatro mulheres que receberam ghrelin ou placebo e foram aconselhados a comer o quanto quisessem.

Uma semana depois, o experimento foi repetido, mas desta vez aqueles que receberam o placebo na primeira experiência tomaram o hormônio e vice-versa. Os resultados revelaram que os voluntários que receberam o hormônio consumiram em média 28% mais calorias comparados àqueles que tomaram o placebo.

"Estávamos tentando imitar os níveis de ghrelin após um jejum noturno e podemos ter exagerado um pouco", afirmou Wren. Mas ela disse que outros estudos também mostram diferenças significativas no consumo alimentar com doses menores.

Outros cientistas, entretanto, estão cautelosos em relação à eficácia de uma possível terapia baseada nessa descoberta. Elas lembraram o entusiasmo com a leptina, que chegou a ser conhecida como o "hormônio da obesidade", mesmo sem nunca ter se mostrado eficaz para curar a obesidade.

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