Holywood fez merchandising do cigarro, diz pesquisa

Da Redação
Em São Paulo

De Sean Connery, o famoso James Bond de "007 - Nunca Mais Outra Vez", a Paul Hogan, em "Crocodilo Dundee", atores fumaram nas telas de cinema devido a uma conspiração entre Hollywood e a indústria do tabaco, segundo uma pesquisa da Universidade da Califórnia publicada nesta terá-feira pela revista Tobacco Control.

Até mesmo Betty Boop, a personagem de olhos largos dos quadrinhos, promoveu o fumo ao vender cigarros em "Uma Cilada para Roger Rabbit".

"A indústria do tabaco sabia da importância de colocar e promover o uso de cigarros em filmes e soube como fazer isso", disse o médico Staley Glantz, da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Fabricantes de cigarro afirmam que acabaram com a prática, mas Glantz alega que o fumo nos filmes aumentou na década de 90. "Até que algo seja feito para reduzir e eliminar as imagens pró-tabaco nos filmes, elas vão continuar sendo uma das forças mais poderosas do mundo na promoção do tabaco e à serviço do interesse financeiro da indústria", declarou Glantz.

Em análises de documentos secretos de companhias de cigarros que foram divulgados pela internet, o médico disse que encontrou vestígios de uma relação longa e profunda entre os gigantes do tabaco e Hollywood. Segundo Glantz, o relacionamento inclui a propaganda de cigarro em filmes e em programas de TV, o patrocínio das empresas de cigarros a eventos de entretenimento e o uso dos produtos pelo atores e celebridades.

A pesquisa explica como os fabricantes de cigarro trabalharam para aumentar a exposição de seu produto na tela do cinema. A Phillip Morris, por exemplo, teve a divulgação de seus produtos em 191 filmes entre 1978 e 1988, incluindo "Grease - Nos Tempos Da Brilhantina", "Crocodilo Dundee", "Duro de Matar" e "Campo dos Sonhos".

"Acreditamos que a maioria das imagens fortes e positivas dos cigarros e do fumo é criada pelo cinema e pela televisão", afirmou Glantz, citando um plano de marketing de 1989 da Phillip Morris. "Vimos os heróis fumando em 'Wall Street (Poder e Cobiça)', 'Crocodilo Dundee' e 'Roger Rabbit'", afirmou.

Remi Calvet, porta-voz da Phillip Morris International, disse que a divulgação do produto contradizia a política de marketing da empresa. "Não fazemos pagamentos direto ou indireto ou qualquer outro tipo de contribuição para a divulgação do produto [em filmes]. Isso não acontece há mais de uma década", afirmou Remi Calvet.

"É possível que isso tenha ocorrido no passado, mas estamos falando da história atual", declarou.

Glantz alega que executivos de Hollywood e estrelas de cinema receberam amostras grátis ou cachês lucrativos para fumar exclusivamente ou promover certas marcas.

De acordo com o estudo, o financiamento da indústria do tabaco era retirado se os cigarros não fossem mostrados de forma positiva. "O aumento no uso do tabaco e o contínuo aparecimento de determinadas marcas nos filmes desde 1990 podem refletir nas atividades das empresas de cigarro, apesar das suas restrições voluntárias em tais práticas", afirmou Glantz.

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