Tratar de obesos sai caro para sistema de saúde, diz estudo

Da Redação
Em São Paulo

Os problemas associados à obesidade, como a diabete, por exemplo, custam mais caro ao sistema de saúde dos Estados Unidos que o tabagismo e o alcoolismo, segundo um estudo da Universidade da Califórnia divulgado nesta terça-feira.

"O fumo e o alcoolismo, que estão em queda, têm sido o centro da atenção de pesquisas e de política há anos. A obesidade, que pode ter consequências à saúde bem mais sérias, recebe menos interesse", afirmou Roland Sturm, autor do estudo e pesquisador do Centro de Cuidados de Distúrbios Psquiátricos da Universidade da Califórnia, em Santa Monica (Costa Oeste dos EUA).

A pesquisa verificou que a obesidade -associada a complicações como diabate, artrite, doença cardíaca, derrame e alguns tipos de câncer- eleva os gastos médicos de uma pessoa em até 36%. Os gastos com medicamentos sozinhos podem chegar a 77%.

Fumar e beber também causam problemas sérios à saúde, mas a pesquisa, publicada na revista médica Health Affairs, descobriu que o fumo ativo leva a gastos de 21% em cuidados médicos e 28% em remédios. Foram verificados pequenos efeitos para problemas com o álcool.

"A obesidade é relacionada a muitos problemas crônicos, que têm um grande impacto sobre os gastos com saúde. A diabete precisa de cuidados constantes", disse Sturm. A diabete, uma condição em que a habilidade do corpo em processar açúcar é prejudicada, eleva o risco de deficiência renal, cegueira, doença cardíaca e problemas circulatórios que podem forçar amputações.

O estudo, baseado em uma pesquisa telefônica com 10 mil adultos dos EUA, revelou que os obesos têm entre 30% e 50% mais problemas crônicos que os fumantes e os alcoólatras.

Especialistas em saúde acreditam que o número de casos de diabete nos EUA pode dobrar nos próximos 50 anos. As taxas da doença quase que duplicaram na década de 90 - subiram de 12% em 1990 para 23% em 1998.

Em comparação, os fumantes correspondem a 19% da população, e 6% foram classificados como alcoólatras. Segundo o ministério da Saúde dos EUA, 27% dos norte-americanos são obesos e 61% estão acima do peso.

Em termos de dinheiro, o estudo verificou que os gastos com a obesidade são de US$ 395 por pessoa a cada ano. Com os fumantes, os gastos ficam em torno de US$ 230 e com os alcoólatras, US$ 150.

Sturm afirma que os altos impostos sobre os cigarros, o que encareceu o seu preço, foram importantes para diminuir o vício entre a população, mas uma proposta similar para controlar o peso provavelmente não vai funcionar.

"Não acho que o McDonald's está deixando as pessoas obesas. Precisamos de uma mudança na saúde pública, não apenas em relação aos médicos dizendo a seus pacientes para emagrecerem", declarou Sturm.

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