Apresentadora de TV fala sobre experiência de ser mãe homossexual

Da Redação
Em São Paulo

A apresentadora de TV norte-americana Rosie O'Donnell (foto), discutindo publicamente sua homossexualidade pela primeira vez, disse que a própria experiência como mãe vem provar que o Estado da Flórida e o presidente George W. Bush estão "errados" em sua oposição à adoção de crianças por casais gays.




"Eu não acho que a América sabe como é um pai ou uma mãe homossexual", declarou O'Donnell à correspondente Diane Sawyer, em uma entrevista televisionada pelo programa "Primetime Thursday", da ABC News.

O'Donnell, que completou 40 anos este mês e cria três filhos adotivos, disse que foi movida a discutir abertamente sua sexualidade e maternidade depois de ler sobre o caso de Steve Lofton e Roger Croteau, um casal gay que processa o Estado da Florida por proibir adoções desse tipo.

"Estou falando agora porque eu quero que as pessoas saibam que eu sou o tipo de pai que a Flórida acha ser inadequado, e isso está errado", afirmou ela, de acordo com trechos tirados da entrevista e cedidos pela ABC News.

Questionada por Sawyer sobre o que ela acha da opinião do presidente Bush, de que crianças devem ser adotadas por famílias com um homem e uma mulher casados, O'Donnell respondeu, "Bem, ele está errado."

"Ele e a esposa dele estão convidados a vir passar um fim de semana na minha casa com meus filhos. Eu tenho certeza que seu modo de pensar mudaria."

A entrevista foi concedida poucas semanas depois da atriz revelar os planos de pôr fim à sua carreira de seis anos como apresentadora do programa "The Rosie O'Donnell Show" para poder passar mais tempo com suas crianças adotivas -- dois meninos e uma menina -- Parker, de 6 anos, Chelsea, 4, e Blake, 2.

Ela descreve seus filhos como "bem-comportados" e "felizes", apesar de concordar que eles podem sofrer preconceitos por ter uma mãe gay e que provavelmente "seria mais fácil se eu fosse casada com um homem."

O'Donnell disse que se pudesse escolher entre ter suas crianças homossexuais, tendo que passar pelas dificuldades, ou heterossexuais, ela optaria pela segunda alternativa.

E acrescentou: "se eu pudesse tomar uma pílula para me fazer hetero, eu não faria, porque eu sou o que sou e, nesta altura da minha vida, estou muito feliz. Mas é muito mais difícil ser gay neste mundo."

O'Donnell declarou que a polêmica contra adoção gay existe porque há um pensamento disseminado de que "a vida de um homossexual é cheia de festa, garotos bonitos e boates em South Beach."

"Mas essas pessoas não são aquelas que planejam adotar uma criança", esclareceu. "As que têm essa vontade são pessoas estabelecidas, que sabem que a prioridade nas suas vidas é ter uma família."

Enquanto a entrevista marca a primeira confissão pública de sua homossexualidade, a comediante disse que nunca pensou em guardar segredo sobre sua opção sexual.

Ela disse que esperou todo esse tempo para se assumir publicamente porque queria estar em "uma relação séria e duradoura". O'Donnell e sua atual companheira estão juntas há cerca de quatro anos.

Questionada sobre as declarações que deu a respeito de achar o ator Tom Cruise atraente, ela disse que não há nada de errado em um gay poder "apreciar a beleza estética de alguém de outro sexo."

"Ele faz meu coração bater, e eu o adoro, homo, hetero ou qualquer coisa semelhante", afirmou. "Ele é o homem mais perfeito sobre a face da Terra."

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