Doçura ajuda a suportar a dor

Da Redação
Em São Paulo

A personagem cinematográfica Mary Poppins tinha razão: uma colher de açúcar ajuda a engolir o remédio. Segundo um estudo apresentado durante o encontro anual da Sociedade Americana de Psicossomática, realizado em Barcelona, nesta semana, os adultos podem tolerar melhor a dor se tiverem um pouco de alguma substância doce na língua.

"Soluções doces parecem ser analgésicas em adultos", disse Maxim D. Lewkowski, principal autor da pesquisa e doutorando em psiquiatria na Universidade McGill, em Montreal (Canadá).

Trabalhos anteriores verificaram que oferecer doce a crianças antes de uma picada de agulha ajuda a reduzir o choro, possivelmente, por tornar mais fácil para elas suportar a dor. No entanto, poucas pesquisas foram feitas sobre a possibilidade de esse efeito ocorrer também em adultos.

No estudo atual, a equipe de Lewbowski pediu a 72 adultos jovens que experimentassem uma solução doce, uma amarga ou água e, em seguida, verificaram quanto tempo os voluntários toleravam manter a mão mergulhada em água gelada.

Os participantes que receberam a solução doce suportaram a água gelada por mais tempo, em média, 85 segundos. Aqueles a quem foi dada a substância amarga conseguiram manter a mão na água por cerca de 82 segundos, e os que ingeriram água, por 83 segundos. Na opinião dos pesquisadores, o sabor doce na língua facilita de alguma forma a ação dos analgésicos naturais do organismo, também chamados opióides ou endorfinas.

O efeito foi mais expressivo em pacientes que tinham a pressão sanguínea abaixo da média, identificou a equipe. O gosto doce aumentou a tolerância à dor em aproximadamente 18% na metade dos participantes que apresentavam os níveis mais baixos de pressão, mas não teve efeito em pacientes com pressão mais alta.

Os resultados sugerem que as pessoas hipertensas - ou mesmo com apenas uma tendência para pressão alta - podem não ter uma diminuição da dor pelo sabor doce porque elas apresentam resposta reduzida aos analgésicos naturais, disse Lewkowski.

"De acordo com a noção de que os hipertensos têm um funcionamento diferente dos analgésicos naturais, as pessoas com pressão mais alta são menos sensíveis a esse efeito", observou o coordenador do estudo.

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