Escola francesa ensina a cheirar

Da Redação
Em São Paulo

A equação é simples: se não se tem capacidade de memorizar 500 odores, é impossível ser um perfumista, segundo a escola na qual se aprende a ser um nariz ("nez" em francês), que será inaugurada na cidade de Grasse (Sudeste), capital francesa da perfumaria.

O Instituto da Perfumaria de Grasse, fundado pelo sindicato da profissão, recebe sem limite de idade e sem obrigação de experiência profissional os alunos de todos os países do mundo, impondo apenas a condição de que dominem o inglês, língua na qual os cursos são ministrados.

"No final de nove meses, nossos estudantes serão perfumistas-aprendizes, capazes de reconhecer 500 odores de base, o mínimo para começar a compor. Um verdadeiro 'nariz' reconhece até 4.000 odores. Para isso, são necessários entretanto uns cinco anos de trabalho pessoal", explica Han-Paul Bodifée, presidente da associação de perfumistas e da escola.

"No Instituto se aprendem as técnicas da perfumaria, as matérias-primas naturais mais difíceis de utilizar que os produtos sintéticos, que se utilizam cada vez mais na composição dos perfumes devido ao seu custo mais baixo", afirma Alain Ferro, diretor pedagógico do estabelecimento.

"Nosso ensino deixa de lado o químico do perfumista e opta por um retorno à tradição, a uma maior sensibilidade", acrescenta.

Antes de ser aceito na escola, cada aluno deve se submeter a um exame no qual se avalia sua motivação, sua capacidade olfativa e sua vontade de criar.

O Instituto tem seis professores e meia dúzia de perfumistas internacionais, todos autores de frangâncias conhecidas. "Não se pode recorrer somente a perfumistas, já que todos têm enfoques pessoais e nem todos empregam o mesmo vocabulário para descrever um perfume", afirma Bodifée.

O Instituto com o número e a disponibilidade dos perfumistas que trabalham em Grasse, cidade onde 66 empresas do setor tem sede, dez delas de projeção internacional.

"Grasse é o melhor que há em termos de perfumaria e o Instituto espera reforçar essa imagem de criatividade", declara Ferro.

O primeiro curso, que começou em fevereiro, recebeu sete alunos, quatro mulheres e três homens de quatro nacionalidades diferentes, entre 21 e 39 anos. A mais nova é uma francesa sem nenhuma experiência, o decano um químico indiano que trabalha há 19 anos na empresa de perfumaria de sua família.

O diretor de estudos é Jean-François Latty, mestre perfumista, criador das famosas fragâncias para Yves Saint-Laurent, Jazz e YSL.

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