Especialistas britânicos classificam maconha como droga de risco baixo

Da Redação
Em São Paulo

Especialistas deram sinal verde nesta quinta-feira para a Grã-Bretanha classificar a maconha como uma droga de risco baixo, uma das últimas medidas para abrandar a posição do governo em relação às drogas leves.

Em um relatório ao ministro do Interior, David Blunkett, especialistas médicos do Conselho Consultivo sobre o Abuso de Drogas (ACMD) disseram que todas as preparações de maconha devem ser rebaixadas para a classe C - grupo de drogas controladas de menor risco. Uma classificação de maior risco é "desproporcional", informou o documento.

A nova classificação colocaria a maconha na mesma categoria dos esteróides anabolizantes e dos hormônios do crescimento. Estimativas do governo indicam que a maconha foi usada por mais de 1,5 milhão de jovens entre 16 e 24 anos na Grã-Bretanha no ano passado.

O governo ressaltou que não tem planos para descriminar a maconha e não tomou nenhuma decisão final sobre a classificação da droga. Mas referiu-se a comentários de Blunkett em outubro que propunham o rebaixamento da maconha da Classe B - categoria que inclui as anfetaminas - para a C e a remoção de poderes da polícia de prender por posse de pequenas quantidades de maconha.

"Não acreditamos que seria certo descriminar ou legalizar a maconha", disse um porta-voz do governo. "Ao mesmo tempo, temos de reconhecer que existe uma necessidade de concentrar novamente o esforço policial nas drogas da Classe A."

Ele disse que as drogas de Classe A - categoria que inclui ecstasy, cocaína, crack e heroína - correspondem a 99% "do custo do uso de drogas para a sociedade".

Os pesquisadores disseram na quarta-feira que o relaxamento das leis britânicas em relação à maconha poderia significar uma economia de cerca de 71 milhões de dólares por ano e liberar o equivalente a 500 policiais.

Um estudo da Universidade South Bank verificou que cerca de 69 mil pessoas foram alertadas ou condenadas por posse de maconha em 1999. A polícia gastou cerca de quatro horas em cada caso, segundo a pesquisa.

Dados do governo mostram que o uso de maconha aumentou muito nas duas últimas décadas. O uso de longo prazo entre pessoas com 20 a 24 anos na Inglaterra e no País de Gales aumentou de 12% em 1981 para 52% em 2000.

O governo também informou que vai decidir em 2004 ou 2005 se licencia produtos à base de maconha para uso médico.

Pacientes que sofrem de esclerose múltipla e outras formas de dor grave defendem o direito do uso legal de drogas à base de maconha para aliviar sua dor.

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