Maconha agita campanha eleitoral na França


Da Redação
Em São Paulo

O primeiro-ministro socialista da França, Lionel Jospin (na foto ao lado), colocou lenha na fogueira da corrida presidencial nesta terça-feira ao afirmar que os usuários ocasionais de maconha deveriam ser tratados com benevolência.

Partidários do presidente conservador Jacques Chirac, seu principal rival nas eleições de 21 de abril, disseram que a afirmação de Jospin era irresponsável, no momento em que o lobby a favor da legalização da maconha exige um debate sobre a reforma da rígida legislação antidrogas do país.

Jospin, que já admitiu ter fumado maconha duas vezes, iniciou a polêmica ao dizer, durante uma entrevista na segunda-feira: "Fumar um cigarro de maconha em casa é certamente menos perigoso do que dirigir embriagado."

Jospin acrescentou que a legalização da maconha mandaria um sinal errado aos jovens, mas insistiu que a legislação antidrogas do país deveria ser aplicada "de forma inteligente" em relação aos usuários.


O partido de Chirac (na foto ao lado), Assembléia para a República, reagiu: "É óbvio que ele não tem idéia dos danos reais causados pela maconha", disse o vice do partido, Bernard Accoyer.

Estima-se que cerca de quatro milhões de franceses fumem maconha. Alguns países europeus estão cada vez mais fazendo vista grossa a usuários de drogas leves ao mesmo tempo em que reforçam o combate policial a drogas mais pesadas como a cocaína ou a heroína. Na França, uma pessoa flagrada com um cigarro de maconha pode ter a mesma pena de um traficante.

Durante a campanha para as eleições parlamentares de 1997, Jospin afirmou que iria considerar um relaxamento das leis francesas sobre as drogas leves, mas voltou atrás devido aos protestos da direita.

A revista de tendência esquerdista Le Nouvel Observateur informou em um editorial na internet que a legalização iria fazer com que houvesse menos traficantes trabalhando com altas margens de lucro e fornecendo drogas pesadas.

"Em vez de ser administrado por gangsters, o tráfico estaria nas mãos de alguns poucos profissionais", argumentou.

Segundo analistas, as atitudes da França em relação a drogas leves estão intimamente ligadas às tendências políticas, as chamadas "esquerda maconheira" e "direita bebedora de vinho tinto".

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