Autraliana com câncer pensa na hipótese de se matar

Da Redação
Em São Paulo

Uma paciente australiana com câncer intestinal que quer se matar ao invés de sofrer por mais tempo está considerando a possibilidade de se submeter a um outro tratamento antes de tomar sua decisão final.

O homem que tem apoiado a mulher a cometer eutanásia, Philip Nitschke, o "doutor morte" da Austrália, disse na quinta-feira que um hospital particular ofereceu a Nancy Crick, 70, um cuidado paliativo para tornar a vida dela mais confortável. Mesmo que o cuidado paliativo não signifique uma cura, o hospital acredita que o tratamento seria melhor do que aquele recebido em casa por Crick.

"Se a qualidade de vida dela puder mudar, é claro que ela vai mudar de idéia. Ela está indecisa quanto à ajuda, ela se sente muito cética".

A mulher pesa apenas 27 quilos e passa toda a noite no banheiro com diarréia e vômitos crônicos. Crick, que perdeu quase todos os dentes, fez um apelo na segunda-feira para que alguém lhe dê uma droga capaz de matá-la sem dor.

O desejo de morrer da australiana colocou a eutanásia no centro de uma polêmica no país que há cinco anos acabou com uma lei que tornava o suicídio assitido legal.

O Território do Norte da Austrália tornou-se o primeiro lugar do mundo a legalizar a eutanásia voluntária, em 1996. No entanto, o governo federal vetou a lei em 1997, após quatro pacientes terminais terem dado fim à própria vida. O suicídio não é ilegal. Mas ajudar alguém a morrer é crime, com punição de prisão.

As autoridades de Queensland disseram que iriam processar qualquer pessoa que ajudasse Crick a morrer. Ela e alguns parentes foram entrevistados e oficiais checam a correspondência da mulher para garantir que ninguém envie alguma droga via correio.

Nitschke e outros defensores estão vendendo dezenas de chaves da porta da casa de Crick, para que a polícia tenha dificuldades de provar quem estará ao lado dela se ela decidir se matar.

A imprensa local tem especulado que a morte da paciente poderia ser televisionada por uma rede nacional ou internacional, mas Nitschke diz que isso é um absurdo.

Segundo o "doutor morte", a mulher quer ser entrevistada para explicar aos australianos porque ela acha que tem o direito de se matar, mas os momentos finais seriam compartilhados apenas com amigos e familiares.

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