Cavallo dorme pouco na prisão e sofre derrota na Justiça

Marcia Carmo, de Buenos Aires

A primeira noite do ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo na prisão foi de pouco sono, leitura e espera pela resposta que a Justiça daria nesta quinta-feira à apelação de seus advogados.

A decisão acabou saindo durante à tarde e o juiz federal Julio Speroni rejeitou o pedido dos advogados do ex-ministro argentino.

Com a decisão, Cavallo deve ficar dez dias preso no quartel da Gendarmeria Nacional de Buenos Aires, onde está. Depois deste prazo, o juiz deverá anunciar se vai processar o ex-ministro.

Se for condenado, Domingo Cavallo poderá pegar entre quatro e 12 anos de cadeia.

Contrabando

Cavallo cumpre prisão preventiva por ter assinado decretos que permitiram o contrabando de armas ao Equador e à Croácia, entre 1991 e 1995.

Na época, os dois países estavam em guerra e proibidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) de receber qualquer armamento.

Na manhã desta quinta-feira, a mulher de Cavallo, Sonia, desembarcou em Buenos Aires. Ela já estava em Washington, nos Estados Unidos, esperando pelo marido.

Se não tivesse sido preso, o ex-ministro teria viajado na noite de quarta-feira para a capital americana, onde faria uma palestra dois dias depois.

Sonia viajou na segunda-feira direto para Boston, onde vive e estuda o filho de Cavallo, o economista Eduardo. De lá, seguiu para Washington.

Rotina de preso

Na prisão, o ex-ministro passa horas no quarto de nove metros quadrados - quase o tamanho de um dos banheiros do seu apartamento - com uma cama de solteiro e um abajur.

Cavallo teve dificuldades para usar seu computador laptop por causa de problemas com as antigas tomadas elétricas da sala onde está preso.

O ex-ministro sai pouco para assistir à TV na sala a que todos os presos têm direito. Cavallo também divide o único banheiro com os outros detentos. E pode ser obrigado a esperar na fila.

Um dia depois que o juiz federal Julio Speroni decretou sua prisão, o caso continua gerando polêmica.

Agora, a expectativa é de que o juiz convoque o ex-presidente Carlos Menem e os ex-ministros da Defesa, Antonio Erman González, e do Exército, Martin Balza, entre outros.

Os três já cumpriram prisão - Menem domiciliar - por tráfico de pólvora. Mas depois que a Suprema Corte de Justiça considerou a prisão de Menem inconstitucional, abrindo espaço para a liberdade dos outros envolvidos, o juiz federal Jorge Urso passou o caso adiante.

Processo reaberto

Coube ao juiz Julio Speroni decidir pela reabertura do processo para investigar, desta vez, o contrabando da armas que - junto com toneladas de pólvora - terminaram no Equador e na Croácia.

A defesa de Cavallo, como contaram à BBC Brasil assessores diretos do ex-ministro, argumentará que ele não pode ser julgado duas vezes pela mesma denúncia.

De todos os que foram convocados pelo juiz Jorge Urso, no ano passado, Cavallo, que então era o ministro
da Economia, era o único que não tinha sido preso.

"Cavallo é um bode expiatório para um fracasso generalizado que levou a sociedade argentina a um ponto de frustração extrema", argumentou Rosendo Fraga, amigo de Cavallo e analista da consultora Centro de Estudos União para a Nova Maioria.

"Eu continuo satisfeita com essa prisão. E se a Justiça mexer mais, vai encontrar mais coisa", afirmou a presidenciável Elisa Carrió, deputada federal.

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