'Doutor Morte' sul-africano escapa de 46 acusações judiciais


Da Redação
Em São Paulo

O especialista em guerra biológica da era do apartheid Wouter Basson (foto), conhecido como "Doutor Morte", foi absolvido nesta quinta-feira de 46 acusações de assassinato, conspiração, fraude e comércio de drogas.

À medida que o juiz Willie Hartzenberg lia as acusações, que incluíam o uso de substâncias tóxicas e veneno de cobra para matar ativistas políticos, o especialista ria.

No final, a decisão do juiz foi aplaudida por brancos presentes no tribunal. "Considero que o acusado não é culpado", anunciou o magistrado.

Caso fosse condenado, Basson, 51, passaria o resto da vida na prisão.

O Estado o acusava de ter criado venenos usados para matar ou tentar assassinar a maioria negra que se opunha ao apartheid. Além disso, ele era acusado de comércio de drogas e de desapropriação de fundos federais.

A lista de bizarrices supostamente cometidas por Basson lembra um filme de espiões: cigarros com antraz, chaves-de-fenda que escondiam agulhas hipodérmicas, uísque com herbicida, chocolates com botulina e sabão em pó explosivo.

Ele também mantinha uma mamba negra, uma das serpentes mais venenosas do mundo, em seu escritório para extrair seu veneno.

O julgamento começou em 1999, mas logo caiu em controvérsia quando o promotor pediu um novo juiz para o caso, depois de Hartzenberg ter dito que não levaria muito tempo para convencê-lo de que Basson era inocente.

O procurador Torie Pretorius afirmou que o Estado iria apelar da decisão. Além disso, Basson também poderá enfrentar processos judiciais abertos pelas famílias das vítimas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos