Assalto no cabeleireiro atrapalha, mas não impede Miss Guaianases

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Arma na cabeça, funcionárias trancadas no banheiro e o roubo de todos os equipamentos. O assalto na véspera do concurso de Miss Guaianases quase deixou as candidatas sem penteados e maquiagens. "Está tudo atrasado. Vou fazer o possível. Só sobrou um secador de cabelo", foi logo avisando Sirley Santos, a dona do salão de beleza responsável por preparar as beldades do último bairro da zona leste paulistana (confira abaixo videoreportagem).



Novo susto aconteceu quando uma das ladras da quadrilha voltou à cena do crime, justo quando as misses terminavam as maquiagens. Sirley correu para avisar a polícia. Uma viatura chegou bem na hora que as concorrentes saiam para o local concurso: a pizzaria Hélios, a três quarteirões de distância.

O clima policial estimulou a candidata Nayara Duarte a contar sua convivência com o tema. "Dois irmãos meus foram mortos à bala. Um morreu no Carnaval, outro foi assassinado pela polícia. Um cunhado meu foi emboscado quando saiu da prisão. Passei minha infância com a polícia dando batida na minha casa", relatou a jovem de 17 anos, que já concorreu até ao título de miss Orquídea, quando morava no município vizinho de Poá.

O pior, porém, foi quando começou a namorar um PM. "Outro irmão meu ameaçou matar o cara. Achei melhor terminar com ele. Afinal, o pessoal da minha rua achava que eu ia cagüetar todo mundo", justificou a garota que quer ser advogada criminalista, como a irmã viúva.

"Essa sua vida está muito cheia de sangue. No meu livro, tem crime, mas não desse jeito", entra na conversa a concorrente Priscila Beierle, 19, com o cabelo todo armado. Filha e irmã de policiais, ela escreve atualmente um romance que está com 15 páginas, um assassinato misterioso e um enterro com a amante da vítima se desnudando e jogando a roupa sobre o caixão.



POLICIAIS NO CABELEIREIRO

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Candidata deixa salão de beleza quando chega viatura policial, chamada após assalto no local

"Escrevo à mão no serviço, porque se fico no computador meu chefe acha que estou no conversando MSN. Chegando em casa digito tudo", conta a garota que emagreceu oito quilos nos últimos meses, cortando a lasanha e as tardes vendo DVD.

Ela já tinha concorrido a Miss Guaianases aos 14 anos. A predileção por x-bacon e refrigerante, como os que consumiu no dia do desfile, a afastaram dos concursos. A lista de namorados também. "Tenho coração, não catraca, mas não fico uma semana solteira. Quase casei no começo do ano. O pretendente tinha 43 anos e minha família não aprovou", relata sua vida amorosa.

Quando outra candidata, Eglin Matos, 15, contou que seus pais estão se separando, Priscila logo disparou um interrogatório: "E seu pai é bonito? Ele vem no concurso? Imagina se eu viro sua madrasta?"

Priscila teve um dia intenso. Pintou as unhas com a Elisete, passou pela esteticista Vanessa para uma drenagem linfática, e ao final fez maquiagem e cabelo com a Sirley. Tudo para sua volta ao Miss Guaianases.

Já Érica Martins, 19, partiu para sua quinta participação no concurso. Ela pediu folga de seu emprego de assistente administrativa, ao contrário de Nayara, que faltou na sua função de recepcionista em posto de saúde. Érica conversa muito com Amanda Acker, 14, fazendo sua estréia na competição.

Amanda traz na bagagem a história de sua mãe, que foi ajudante de palco do SBT no começo da década passada. "Ela fica dividida porque esse mundo é cheio de ilusão e decepção, mas eu quero me arriscar. Está cheio de olheiros de agências na platéia." O sonho é virar modelo e ganhar em um dia de trabalho um dinheiro demora uns seis meses para pingar nos empregos que conseguem. A tentação de posar nua também existe. Priscila conta que já recebeu proposta da revista erótica Sexy.



BELDADES NA PIZZARIA

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    As nove candidatas a Miss Guaianases esperam em corredor do restaurante onde foi o concurso

O entorno do concurso é o bairro que fica na última estação de trem antes de sair do município. O cenário é de conjuntos habitacionais, supermercados populares e forrós animados. Dentro da pizzaria Hélios, contudo, a calculadora que fecha normalmente contas é usada para conferir as pontuações das beldades.

Fechados os votos, o título de 2008 vai para Fernanda Oliveira, uma morena alta e esguia. Ao som de "Pretty Woman" na voz de Roy Orbison, ela pula ao ouvir o anúncio, chora com o abraço das concorrentes e posa para as câmeras com sua coroa, faixa e capa.

A garota ganhou dos patrocinadores do evento R$ 300 para gastar no cabeleireiro, um tratamento para clarear os dentes, um ano de curso de inglês, um ensaio fotográfico, um tratamento de emagrecimento, entre outros mimos. O principal prêmio, porém, é o direito de disputar o Miss Cidade de São Paulo.

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