Do patriotismo a conhecer outros países: o que motiva uma garota a disputar o Miss Universo?

Pedro Cirne
Do UOL Tabloide

Em Las Vegas (EUA)

Tudo mundo sabe o que leva um garoto a querer ser jogador de futebol. Ou astronauta, veterinário, artista... Mas o que exatamente move uma garota para querer ser Miss Universo? Por que elas se candidatam?

“Por que não?”, responde perguntando a simpática Rozanna Purcell, Miss Irlanda. “É uma oportunidade maravilhosa de fazer duas coisas que eu adoro: modelar e falar com as pessoas.” A irlandesa de 19 anos estuda política e diz gostar de ter contato com as pessoas – o que certamente não faltará caso seja eleita Miss Universo na próxima segunda (23), aqui em Las Vegas.

Da política da Miss Irlanda ao patriotismo da Miss Filipinas: “quero devolver ao meu país tudo o que ele fez por mim”, diz a filipina Venus Raj. “Cresci em uma cidade pequena, estudei apenas em escolas públicas”, conta. “Quero ser uma inspiração para as crianças que tenham uma história parecida, que crescem na pobreza como eu: que elas vejam que, se eu cheguei a Miss Universo, elas podem chegar a qualquer lugar.” Detalhe: ela não nasceu nas Filipinas, mas na distante Doha, capital do Qatar.

A representante haitiana, Sarodj Bertin, também justifica seu interesse com o amor ao país. “Quero fazer história, ser a primeira haitiana a ser eleita Miss Universo”, diz a Miss Haiti. “Quero abrir as portas para meu país. E mesmo que eu não seja eleita, vou continuar lutando para isso - mas vou ter que batalhar mais.”

Outro lado: a beleza interior

“As pessoas pensam que ser miss é trabalhar com a beleza exterior, mas é o contrário”, reflete Awurama Simpson, a Miss Gana. “Quando você abre mão de tudo para viajar ajudando a conscientizar as pessoas sobre o HIV, você está trabalhando com a sua beleza interior e a sua inteligência.” A ganense, aliás, estuda para ser radiologista – ou pediatra, ainda não se decidiu. E, caso eleita Miss Universo, vai ter ainda mais um ano para pensar.

“Na verdade, eu não queria ser miss. Aí fui convidada a um concurso e o venci”, conta LaToya Woods, a representante de Trinidad e Tobago. “Depois, fui me informar no site do Miss Universo e caí para trás: é completamente diferente do que eu - e todo mundo - pensava.”

A trinitesa reflete: “Eles procuravam alguém com um coração enorme, capaz de abrir mão de sua vida pessoal para viajar pelo mundo ajudando a informar as pessoas a como evitar o HIV”.

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Eva Arias, a Miss República Dominicana, por sua vez, não poupa superlativos ao falar da disputa: “quero ser eleita porque é a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma garota”, deslumbra-se. “É sobre aproveitar cada minuto, cada segundo da sua vida.”

“É só um trabalho”, minizima a Miss Honduras, Kenia Martinez, na contramão de sua colega da América Central. “E todo mundo precisa trabalhar!”, ri. Depois, explica sua escolha em concorrer: “creio que seria um trabalho perfeito para mim. Gosto de falar com as pessoas e de viajar”.

“Viajar” é um motivo presente na justificativa de muitas misses, da irlandesa à trinitesa, passando pela japonesa Maiko Itai. “Lá no Japão, temos acesso a muitas notícias e informações”, conta a miss nipônica. “Mas eu queria ver o mundo real.”

A julgar pelo sucesso que você e as demais misses fazem ao passar pelo hotel-cassino onde estão hospedadas, o mundo real também quer conhecer vocês...

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