"Pra conseguir viver no Brasil, só mesmo sendo malandro". Bezerra da Silva sabe das coisas

Da Redação Em São Paulo

Zeca Guimarães/Folha Imagem
Malandro é malandro
Para entrevistar o sambista Bezerra da Silva, o editor do UOL Tablóide resolveu dar um tempo e mergulhou de cabeça no mundo da malandragem. Resultado: uma semana sem trabalhar, bigodinho na cara e sapato branco no pé. Mas como bem diz o Bezerra, "mané é mané", e o máximo que consegui foi levar uma carraspana na redação e virar motivo de piada pelo visual.

Bezerra incorpora a malandragem. Fala mansa, cativante. Ele não responde, conta histórias. Não fala, dá declarações. Tudo sempre acompanhado por um sambinha. Telecoteco...

Mas Bezerra também desmistifica a malandragem. No auge dos seus 77 anos, trabalha mais do que muito marmanjo (inclusive este, mas não espalhe). Encara uma entrevista atrás da outra, sempre com um olho no entrevistador, outro em dona Regina, a eterna companheira. "Você gosta de mulher feia, meu amigo? Ninguém gosta. Então preciso cuidar da minha porque está cheio de gavião por aí."

É isso aí, malandragem.

Editor do UOL Tablóide: Bezerra, defina o malandro.

Bezerra da Silva:
O malandro não se define. O malandro é e pronto. É aquela história, malandro é malandro, mané é mané.

Editor do UOL Tablóide: O Brasil é o país da malandragem?

Bezerra da Silva:
No Brasil tem muito malandro. Mas é preciso entender que malandro não é necessariamente marginal. Aliás, não gosto muito dessa palavra para definir bandido. Porque no Brasil a maioria da população é marginalizada. No fundo, quase todo mundo é marginal. E tem mais: malandro acorda cedo, vai trabalhar. Malandro é o cara inteligente, não o criminoso. Pra conseguir viver no Brasil, só mesmo sendo malandro.

Editor do UOL Tablóide: Bezerra, como um malandro foi fazer sucesso neste país de doutores?

Bezerra da Silva:
Pra fazer sucesso no Brasil é só gravar música sobre ladrão. Porque tem um monte por aí, mas ninguém canta, é como se não existissem. Eu canto a realidade.

Editor do UOL Tablóide: Mas suas músicas não falam só sobre ladrão, e mesmo assim você consegue estar em evidência.

Bezerra da Silva:
Eu sou o rei da moçada. Canto o atual, por isso faço sucesso. Se eu cantar um sambinha dizendo "quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral" o sujeito dorme. Não interessa se eu tenho 200 anos, o que importa é que estou aqui com a rapaziada.

Editor do UOL Tablóide: Bezerra... Malandro grava CD ao vivo? (o cantor acaba de lançar "Meu Bom Juiz", gravação de um show seu)

Bezerra da Silva:
CD ao vivo é marketing. Um fez, deu certo, vai todo mundo atrás. Mas o diferencial é que no meu disco quem escolhe o repertório sou eu. As minhas músicas são hinos, são canções em evidência e que o povo gosta.

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