UOL Tablóide visita o centro do mundo e coloca ovo em pé

Rodrigo Flores
Em Quito (Equador)
Pedro Cirne
Em São Paulo

Rodrigo Flores/UOL
Mais do que uma foto, uma metáfora
Superar os próprios limites. Ir onde nenhum homem jamais esteve. Romper barreiras e estabelecer novos patamares. Imbuído do espirito dos grandes aventureiros, o enviado do UOL Tablóide a Quito colocou a mochila nas costas e partiu com um objetivo em mente: chegar ao centro do mundo.

A missão parece difícil, mas na verdade é uma grande moleza. Tudo começa na calçada. Basta esticar a mão e falar a palavra mágica. Abracadabra? Lógico que não! Táxi, é claro. Meia hora de viagem em direção ao norte de Quito e chega-se ao monumento Mitad del Mundo, que fica a 2.483 m de altitude.

Uma vez lá, o turista é recebido por um longo corredor onde estão os bustos de vários geógrafos, entre eles o francês Charles-Marie de la Condamine, que descobriu o local no século 18 (UOL Tablóide também é cultura, como o amigo internauta bem sabe). Ao fundo há um enorme globo de cimento, colocado onde supostamente passa a linha do Equador (se você não matou as aulas de geografia, sabe que a linha do Equador divide o planeta ao meio). Dentro do monumento há um pequeno museu etnográfico.

Mas a grande atração está mesmo no chão. Uma linha vermelha pintada sobre o concreto representa o local exato por onde passa a linha do Equador. Os turistas se amontoam para tirar fotos com um pé em cada lado do planeta. (Não os critique. Você faria a mesma coisa se estivesse lá.)

O enviado do UOL Tablóide, que desconfia até da própria sombra, resolveu investigar e fez uma descoberta surpreendente: o local exato por onde passa a linha do Equador não fica ali, na Mitad del Mundo, mas a 200 metros de distância, fora do complexo, em um pequeno terreno ao lado. Segundo uma guia local, a maioria dos turistas desconhece o fato. "Se alguém nos pergunta, dizemos a verdade. Mas não há motivo para acabar com a alegria das pessoas que tiram fotos sobre a suposta linha do Equador."

Não satisfeito, o enviado do UOL Tablóide decidiu conhecer o verdadeiro centro do mundo. Por uma rua de terra ao lado da entrada principal da Mitad del Mundo, chega-se ao pequeno museu In Situ, erguido há pouco menos de dois anos, assim que a confusão sobre a real posição da linha do Equador foi descoberta. No In Situ tudo é mais modesto, a começar pela linha propriamente dita. Não há uma longa faixa sobre o concreto, mas um pequeno arame preso por dois bambus, e um risco no chão.

Rodrigo Flores/UOL
Morda-se de inveja, Cristóvão Colombo
Sem GPS, bússola ou relógio de sol, o enviado do UOL Tablóide precisou improvisar para verificar a autenticidade da linha, e repetiu o feito que antes apenas Cristóvão Colombo havia conseguido: colocar um ovo em pé. Depois de algumas tentativas, o ovo parou equilibrado sobre a cabeça de um prego. Segundo os guias locais, o fenômeno se justifica pela ação da gravidade, que tem propriedades muito particulares sobre a linha do Equador (como sabe muito bem quem assistiu a um certo episódio de Os Simpsons ou a uma certa aula de geografia, tanto faz).

Depois de dedicar o dia a desvendar os mistérios do Equador, veio a reflexão. A linha imaginária corta dezenas de países (o Brasil, inclusive). Então, qual a graça de visitar o centro do mundo? A resposta divide-se em duas, tal qual o mundo. Primeiro porque trata-se de um dos maiores motivos de orgulho dos equatorianos. O seu país leva o nome da linha (ou será que a linha leva o nome do país?).

Segundo, porque a linha do Equador, mais do que simplesmente um marco geográfico, é um símbolo da fronteira entre os países desenvolvidos (no norte) e os subdesenvolvidos (no sul). Olhe no mapa. Quase todas as nações ricas estão ao norte da linha do Equador. Nós, os mais pobrezinhos, ficamos quase todos ao sul. E conforme mostra o flagrante fotográfico do UOL Tablóide, em nenhum local essas diferenças ficam tão evidentes.

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