Condutor do barquinho grita com o Editor do UOL Tablóide. Por quê?

PEDRO CIRNE
Enviado especial a Damnernsaduak (Tailândia)

Pedro Cirne/UOL 
Na hora desta foto no Mercado Flutuante na Tailândia,
barqueiro grita com o Editor do UOL Tablóide
Esta é uma história sobre um passeio de barco pelo Mercado Flutuante. Antes, cabe uma pequena introdução.

Sabe o carrinho bate-bate, aquele brinquedo do parque de diversões da sua cidade em que você entra e fica meia hora batendo em outros carrinhos e acha um porre, mas seu filho adora?

Sabe aquele passeio dominical de "compras para a casa", em que você fica o passeio inteiro resmungando que está perdendo, pela ordem cronológica, a corrida de Fórmula 1, o churrasco na casa do Zé e a rodada do Brasileirão, mas sua mulher adora?

Junte os dois - o bate-bate e as compras - e acrescente um ingrediente a mais: tudo isso dentro de um barco, em um rio na Tailândia. É o Mercado Flutuante de Damnernsaduak. Nunca ouviu falar?

O Mercado Flutuante é um passeio feito geralmente por turistas que estão conhecendo a Tailândia. Eles vão a Damnernsaduak, a cerca de 90 minutos de Bancoc, e lá entram em um barco em que cabem seis pessoas, fora o condutor. Este passeio dura meia hora e custa 100 bahts (cerca de R$ 6,25). Você pode fazer mais de uma passeio se gostar ou se ainda não gastou o suficiente, é claro.

As lojas não lembram em nada as lojas convencionais: são barcos parados - alguns poucos estão em movimento. Quem se movimenta são os compradores-turistas. São muitas lojas, muitos turistas e nenhum semáforo, o que significa que você tem de torcer para o seu condutor ser competente. Competente em outras coisas além de conduzir o barquinho, porque batidas em outros barcos são inevitáveis. Por "outras coisas" entenda-se pedir licença e mandar os turistas manés não se levantarem, o que pode fazer com que o barco vire. Exatamente por serem manés, esses turistas levam de 5 a 15 minutos para entederem que é com eles que o barqueiro está gritando.

A comunicação entre o turista-comprador e o vendedor-que-só-fala-tai é feita por meio do tradutor universal: a calculadora. Você, turista, chega e aponta o que quer comprar. Normalmente aponta-se com o dedo, mas se você estiver com preguiça de levantar o braço e quiser apontar com o queixo tudo bem, será compreendido do mesmo jeito. Aí o vendedor mostra, na calculadora, o preço do produto (digamos: x) multiplicado por quatro (digamos: 4x). É só o começo.

Eis que você pega a calculadora da mão do vendedor e digita o quanto você quer pagar - se for malandro, será um quarto de quanto o produto realmente vale (digamos: 0,25x). Aí o vendedor retoma a calculadora e vai diminuindo o quanto quer receber (em um primeiro momento, digamos: 3,5x; mais pra frente, digamos: 3x). Você, por sua vez, vai aumentando o quanto estaria disposto a pagar (em um primeiro momento, digamos: 0,5x; mais pra frente, digamos: 0,75x). Inevitavelmente, uma hora um dos dois se cansa e pronto: negócio fechado.

O que se pode comprar lá?, perguntará você. Muita coisa, responderei eu. Como o quê?, perguntará você, impaciente como sempre. Como as seguintes, responderei eu, paciente como sempre: lembrancinhas em geral, estátuas do Buda de todos os tamanhos, lembrancinhas em particular, estátuas de elefantes, lembrancinhas grandes, temperos, lembrancinhas pequenas, frutas, lembrancinhas curiosas, chapéus, lembrancinhas comuns, leques...

Um comentário particular, que não deve acontecer com você, esbelto internauta. Em um dos passeios, o Editor do UOL Tablóide, que estava no centro do último banco, sozinho, colocou-se à esquerda do banco, para poder tirar fotos para esta nota. Em pânico, o condutor começou a gritar com o Editor do UOL Tablóide coisas soavam como "wiiwwiw", "ououou", "ninini" e congêneres. Depois, o poliglota e sempre humilde Editor do UOL Tablóide percebeu que ele deveria voltar ao centro do barco, o que acalmaria o assustado barqueiro. Pergunta para o internauta:

Por que o condutor do barquinho gritou com o Editor do UOL Tablóide?

a) Porque as fotos não sairiam boas se fossem tiradas daquele ângulo, e o barqueiro estava preocupado com a qualidade sempre irretocável das notas do UOL Tablóide;

b) porque o Editor do UOL Tablóide está levemente acima do peso (estamos em tempo de cartilha do politicamente correto, certo?), e seus um ou dois quilos a mais poderiam fazer com que o barco virasse;

c) porque o condutor estava a fim de briga com o primeiro que visse pela frente, e chamou o Editor do UOL Tablóide de gordo, balofo, panção, mamute obeso, paquiderme desqualificado, aliá grávida e afins, só que em tai, o que evitou um desfecho trágico para este incidente;

d) tudo ao mesmo tempo: o barqueiro estava preocupado com a quailidade das fotos, não queria que o barco virasse e, só por diversão, desafiou o Editor do UOL Tablóide para uma luta de muay thai até a morte.

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