O dia em que o Editor do UOL Tablóide virou um super-herói. Ou quase

PEDRO CIRNE
Enviado especial a San Diego (EUA)

RODRIGO FLORES
Em São Paulo

ESSA VIDA É MESMO CÔMICA

A Gata Negra sorri para o Editor do UOL Tablóide



O Snoopy é alto, não?



O rapazinho está cercado, mas não pára de sorrir



O estande dos Simpsons



O soturno Batman...



...e o alegre Pikachu



Já tem gente comprando ingresso para a San Diego Comic-Con 2007! Fotos: Pedro Cirne/UOL


Quando uma criança lê uma história em quadrinhos de super-herói, normalmente imagina-se sendo um deles. Aí cresce. Se continua leitor de quadrinhos, percebe que há pessoas por trás dessas histórias. Os artistas.

Mas há um momento na vida de um leitor de quadrinhos em que ele se sente mais do que um leitor, mais do que um artista, quase um personagem: quando ele pode passear por uma... comic-con.

As comic-cons são convenções que ocorrem nos Estados Unidos para artistas e fãs de quadrinhos. (Elas também ocorrem em outros países, mas com outros nomes.) E a de San Diego, cidade ao sul dos Estados Unidos, é a maior de todas: são mais de cem mil visitantes nos quatro dias de convenção.

E o Editor do UOL Tablóide esteve na Comic-Con International San Diego, que dura quatro dias, neste sábado. E aprendeu uma ou duas coisas sobre o universo dos super-heróis, superpoderes e superartistas.

A primeira: uma comic-con parece a Bienal do Livro. Não adiantou muito para você? Bom, é um ambiente enorme, cheio de estandes de editoras e artistas, com livros à venda, artistas dando autógrafos e conversando com fãs e você lá no meio de tudo com um só pensamento da cabeça: "Será que vai dar tempo de fazer tudo o que eu quero?".

Há diferenças entre uma Bienal do Livro e uma comic-con, é claro. Não é normal, em uma bienal, você encontrar um Batman conversando com um Darth Vader e um Homem-Aranha.

Há os estandes das editoras de quadrinhos (como as gigantes DC, de Batman e Superman, e Marvel, de Homem-Aranha e X-Men), com artistas dando autógrafos e personagens em vídeos, cartazes e ou de carne e osso (atores, claro). Estão lá também, espalhados pelos corredores, artistas relacionados ao universo dos quadrinhos ou de ficção-científica, como Lou Ferrigno (o Hulk do seriado de TV), Nichelle Nichols (a tenente Uhura de "Jornada nas Estrelas") e o escritor Ray Bradbury, autor de "Fahrenheit 451" e "As Crônicas Marcianas".

E para onde quer que você olhe há quadrinhos e livros à venda, dividindo o espaço dos corredores com pessoas fantasiadas conversando sobre nomes como Gene Roddenberry, Han Solo, Kyle Baker, Mark Waid, Alan Moore e Alex Ross. Acima de todos, um simpático Pikachu inflável.

Se você não está encontrando o que procura, basta pedir informação para o Lanterna Verde que está passando. Ele não só te orientará como ainda te dará um "tenha um grande dia e aproveite o show!". Se o vendedor não tem o boné que você procura, ele lamentará muito, dirá que é uma pena, desejará que você o encontre o tão cedo quanto possível e que desfrute de um ótimo dia. Se você pedir para tirar uma foto com a Gata Negra, ela ficará feliz e posará com você quantas vezes forem necessárias até você aprovar o retrato na sua câmera digital.

Essas são as pessoas. Há também as editoras. A San Diego Comic-Con (como também é conhecida) é o palco dos principais anúncios de lançamentos para os próximos 12 meses. Assim, no estande da Marvel há uma moto que lembra a que será usada por Nicolas Cage em "Motoqueiro Fantasma", filme a ser lançado em 2007. Já a rival DC, que está passando por um processo de reformulação das personagens, apresenta suas novidades, como as novas revistas mensais da Liga da Justiça ("Justice League of America") e do Flash ("The Flash: Fastest Man Alive").

Superpoderes
Há um certo clima de pressa no ar. Há muito para ver, então as pessoas andam rapidamente para lá e para cá (parando para tirar fotos e pegar autógrafos, é claro). É preciso ter os superpoderes de observação e... sorte. Afinal, quem sabe se este pequeno estande não estará vendendo alguma coisa interessante?

E estava. "Lost Girls", a obra erótica que Alan Moore (um grande roteirista de quadrinhos, jovem internauta) levou 16 anos para concluir, entre seu enorme preciosismo e problemas com editoras. O Editor do UOL Tablóide aproxima-se da obra, boquiaberto. A vendedora, simpática, aproxima-se do Editor com uma "Lost Girls" aberta. Ele folheia e diz: "Ficou simplesmente sensacional! Maravilhoso!". E ela: "Muito obrigada! Que bom que o senhor gostou!". Não era a vendedora. Era a desenhista do livro, Melinda Gebbie. Aliás, mulher de Alan Moore. Sim, o Editor do UOL Tablóide tem o superpoder de dar foras. (Até que este foi um fora simpático, não?)

A vida de um "superfã" não é fácil. Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. É preciso, por exemplo, visitar o estande do Alex Ross, desenhista de um talento incrível, mas que é um pouco "estrelinha" e não vai mais a convenções em que encontraria seus admiradores. Mesmo assim, tem um estande só dele em que seus representantes vendem páginas desenhadas por ele por cerca de US$ 1.000, no mínimo. Ross tem o superpoder do supersucesso.

Há mais coisas para ver, mais lugares para ir. Mas nem todos têm o poder de fazer o tempo ir mais devagar. Na verdade, ninguém tem, e chega a hora de ir embora. O fã só é realmente um "super-herói", internauta, se ele conseguir passar horas em um lugar como este e não comprar nada. O Editor do UOL Tablóide não conseguiu.

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