Editor do UOL Tablóide vive um dia de torcedor de beisebol

PEDRO CIRNE
Enviado especial a San Diego (EUA)

RODRIGO FLORES
Em São Paulo

OLHO NO LANCE!

O simpático placar saúda os torcedores presentes



Um cachorro-quente na mão e nada no estômago, mas só por enquanto



Telão exibe foto e informações sobre o jogador que entrou para rebater



O rebatedor acertou a bola, para tristeza dos torcedores do Los Angeles Dodgers
Para quem cresceu assistindo e jogando futebol, beisebol não é, em um primeiro momento, um esporte palpitante. Também não parece ser chato. Porque uma coisa é passar a infância inteira cobrando falta e indo buscar a bola no vizinho (pobre seu Almeida)... Ou a adolescência inteira tentando explicar o que é o tal do impedimento ou por que é constrangedor torcer para um time que entra em campo no 3-6-1... E depois de todos esses anos de futebol quase 24 horas por dia (há o momento de sono), vibrar quando o pitcher manda quatro "balls" e o rebatedor avança para a primeira base é no mínimo estranho.

Seria muito fácil conformar-se com isso. Mas uma vez que o Editor do UOL Tablóide está nos Estados Unidos, ele quer fazer como os norte-americanos. Entender o que é um inning, um home run e por que há uma posição no beisebol com um nome tão peculiar quanto jardineiro. E esporte é sempre esporte, certo? Beisebol não é pingue-pongue, mas também não é críquete. Dá para aprender as regras.

E lá foi o Editor do UOL Tablóide assistir a Los Angeles Dodgers versus St. Louis Cardinals no Dodger Stadium. Com um copo de refrigerante em uma mão, um cachorro-quente na outra e algumas informações na cabeça: inning é o conjunto determinado por uma defesa e um ataque de um time, e cada jogo tem, a princípio, nove innings; home run é a jogada máxima de ataque no beisebol, quando a bola é rebatida para fora do campo de jogo; jardineiro é jardineiro, ué, ou você também implica com o futebol só pela existência de uma posição com um nome tão peculiar quanto volante?

Momentos de emoção
O Dodger Stadium pode receber 56 mil pessoas, que, por sua vez, não podem: fumar, falar palavrões, fazer gestos obscenos, ter comportamento inadequado e por aí vai. Já pensou em ir a um Corinthians x Palmeiras em que a pior coisa dita sobre a mãe do árbitro é que ela poderia tê-lo encorajado a passar por uma cirurgia de miopia?

E os torcedores se comportam bem, de fato. Extremamente educados. Mesmo quando chegam para você e te avisam que está sentado no lugar errado e te lançam um olhar "você-sentou-no-meu-lugar-você-é-menos-que-um-verme-desprezível-seu-verme-desprezível", eles ainda são educados. E o Editor do UOL Tablóide, que estava errado, levantou-se e rogou uma praga mental: "os Dodgers vão perder, seu bobo, feio e chato".

Uma vez no lugar certo, o Editor do UOL Tablóide pôde finalmente começar a compreender o jogo. Na verdade, o beisebol norte-americano é um espetáculo. Tudo lembra um show. Começa pelo fato de que, além do campo onde os times estão se enfrentando, ainda há um telão e um enorme placar eletrônico com informações, replays e comerciais.

Na primeira vez em que um jogador do time da casa entre em campo para rebater, o telão exibe um pequeno clipe, com uma encorajadora música de fundo, em que o rapaz aparece brincando com a bola, fazendo cara de sério, olhando para o lado, dando um simpático sorriso, brincando com o bastão. E a torcida aplaude.

A torcida, na verdade, interage bastante com o jogo, e não apenas quando as bolas rebatidas vão parar nas arquibancadas e os fãs levantam-se para pegá-las. Há muitos momentos de emoção em que o público reage quase em uníssono:

- "wow", quando um jogador do time da casa vai pegar uma bola aparentemente fácil e a derruba

- "o" curto e desapontado em várias ocasiões do jogo; algumas, confesso, não entendi a razão

- "ooo", entre o triste e o desapontado, quando um rebatedor do time da casa é atingido no joelho após um péssimo arremesso do pitcher dos visitantes

- "nooo", em um ponto dos adversários

- vaias quando o pitcher dos Cardinals, em vez de arremessar a bola, fica tentando "queimar" um jogador dos Dodgers que está na primeira base

- muitas vaias após uma decisão do árbitro, que marca contra o jogador da casa e não elimina o adversário

- maior reação da torcida: gritos e aplausos após um home run, mesmo tendo sido feito pelos visitantes

Tudo o que é bom acaba rápido, e este jogo chegou ao fim. A praga mental do Editor do UOL Tablóide - que depois se arrependeu dela e passou a torcer pelos Dodgers - deu resultado: os Cardinals venceram por 2 a 0. O beisebol, definitivamente, é uma caixinha de surpresas.

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