Para brasileiros, medo de perder o desejo é igual ao de perder a renda

Da Redação

Para os brasileiros com 40 anos ou mais, o medo de perder o desejo sexual é tão importante quanto o medo de perder a renda. E só perde para o temor de ficar doente, que acomete metade deles. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas de São Paulo, e pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em parceria com a Bayer Schering Pharma, fabricante do remédio para disfunção erétil vardenafila.

O estudo, que será apresentado no 31º Congresso Brasileiro de Urologia, no próximo dia 27, contou com 10.161 participantes, 56,6% do sexo masculino. O receio de não sentir mais desejo sexual foi citado por 30,8% deles, contra pouco mais de 10% das mulheres. Um quarto dos pesquisados também mencionou o medo de perder a ereção com a idade (27, 3%).

Apesar da fama de cuidar menos da saúde, 60% dos homens disseram freqüentar o médico. Entre as mulheres, o percentual foi de 70%. "Ou eles estão mais doentes, ou adquiriram o hábito", comenta a psiquiatra Carmita Abdo, fundadora do ProSex. Os principais distúrbios que motivaram a visita, de acordo com a pesquisa, são a hipertensão (20,4%) e o colesterol alto (18,9%). As dificuldades sexuais são responsáveis por 1,8% das consultas. Mas o constrangimento em procurar ajuda para resolver esse tipo de problema vem diminuindo: "Antes, eles só buscavam tratamento depois de cinco anos com os sintomas. Hoje, a média caiu para 2,5 anos", diz.

Os resultados mostram, ainda, que 16,2% da população masculina com 40 anos ou mais é obesa, 23,8% levam uma vida sedentária, 16, 8% não se alimentam de forma saudável, 15% já usaram medicamentos para conseguir ereção e apenas 33,5% já realizaram o exame urológico com toque retal.

Cerca de 13,3% dos entrevistados apresentavam sintomas sugestivos de deficiência de testosterona, o chamado Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), segundo os médicos que coordenaram a pesquisa. O problema costuma causar diminuição da libido, dificuldade de ereção esporádica, depressão, fadiga e aumento da gordura abdominal.

"Diferente da menopausa, a diminuição do hormônio no homem é gradual: tende a cair 1% ao ano a partir dos 40 anos e segue até os 70", afirma o urologista Charles Rosenblatt, do Hospital Albert Einstein. De acordo com o especialista, a reposição hormonal masculina deve ser bem monitorada pelo médico, já que o tratamento é contra-indicado para homens com risco de desenvolver câncer de próstata.

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