Papai Noel não apenas existe: ele foi biografado!

Eugênio Augusto Brito | da Redação

Caro internauta, alguém já escreveu um livro sobre sua vida? E sobre a vida do Editor do UOL Tablóide?

Agora, quem acredita no bom velhinho Santa Claus Papai Noel acaba de ganhar um bom manual para responder a perguntas dos provocadores sem espírito natalino. Aquele nhenhenhém, sabe? "Como alguém acima do peso passa horas suando em uma roupa vermelha como parte da decoração de um shopping?", "onde o Papai Noel estaciona as renas, se em casa não tem chaminé?", "Noel não foi inventado pela Coca-Cola?", "esse balofo não é aquele 'velho batuta' e capitalista, como cantou a banda Garotos Podres?"

PAPAI NOEL NOS LIVROS
Divulgação
Capa da biografia que mostra que Papai Noel adora um refrigerante, mas não da forma como você imaginava
Rupak De Chowdhuri 18.dez.2007 / Reuters
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Todas essas questões, até mesmo a vinculação do mais conhecido morador da Lapônia com o espírito do capitalismo, são discutidas e respondidas no livro "Papai Noel: uma biografia" (Editora Planeta, 272 pág., R$ 44,90), de Gerry Bowler, autor eclético e doutor em história pelo King's Cross College, de Londres, como conta o currículo impresso na orelha.

Sim, o Papai Noel dos nossos dias é made in USA e surgiu em algum Natal perdido no meio do século 19. Mas, não, o bom velhinho não apareceu para espalhar pelo mundo engradados de refrigerante de cola. Ele já estava lá, já era barbudo, rechonchudo, vermelho e bonachão muito antes da Coca-Cola decidir "contratá-lo" para vender seus produtos.

E "Santa Claus" não vendeu apenas Coca-Cola. Como bom americano, ajudou a comercializar praticamente todo tipo de produto, dando um olé em Ronald McDonald, no boneco da Michelin, no caubói da Marlboro (morto prematuramente, vítima de um câncer), no tigre Tony dos sucrilhos e em qualquer garoto-propaganda criado pelas mais destrutivas mentes publicitárias. Guloseimas a gadgets típicos das festas de fim de ano, roupas, carros e casas, armas, cigarros e bebidas, seguros de vida e até bônus de guerra - Papai Noel sempre fez qualquer negócio, e, como não é bobo, participou ativamente da promoção da capa da Playboy brasileira com a dançarina Carla Perez, em dezembro de 2000.

Foi ator de cinema em filmes clássicos, como "Milagre na Rua 34", ou em grandes épicos de sessão da tarde como "Um Natal Muito, Muito Louco". Traquinas, aceitou posar para um sinuoso quadro de Pablo Picasso. E também inspirou canções que rimavam qualquer coisa com 'jingle bells' - se você não lembra, é porque na sua casa nunca acabou o papel.

Mas, apesar de norte-americano, Papai Noel fez isso tudo ganhando muito pouco ou nada. Ou seja, ele está mais ou menos como a maioria da humanidade, do lado dos deserdados da Terra.

A primeira aparição de Noel ocorreu na colônia holandesa de Nova York (na época, Nova Amsterdã). Sua figura simpática buscava pacificar e fazer surgir o amor no espírito de moleques e fanfarrões de mil oitocentos e bolinha, que adoravam encher a cara, soltar bombinhas e falar alto nas comemorações de Natal (não parece ter funcionado, pois até o fim do século 20, comportamentos semelhantes podiam ser observados em lugares bastante distantes de Nova Amsterdã, como São Paulo).

Um cara pacífico, portanto? Olha, tem o outro lado: o Papai Noel norte-americano acabou fazendo a guerra também. A propaganda dos dois lados da Guerra de Secessão usou sua imagem; depois, ela ajudou no recrutamento da 1ª Guerra Mundial e, finalmente, pisou na cabeça de Hitler e Mussolini na 2ª Guerra.

E a questão do capitalismo? O gorducho é só mais um representante do capital, que "rejeita os miseráveis" e só "presenteia os ricos"? Calma, que Bowler explica.

Com a autoridade que só um "noelogo" (especialista em Papai Noel) tem, mas também como autor de uma enciclopédia sobre o Natal e professor da universidade canadense de Manitoba, o professor nos conta que as origens do bom presenteador vêm de muito antes.

Cerca de 1700 anos atrás, pra ser menos impreciso, inspirado em São Nicolau, um bispo disciplinador, mas de boa índole, nascido em território turco e padroeiro dos russos (e de dezenas de outros povos), das crianças, dos estudantes, das virgens, dos marinheiros e mercadores.

Conta a tradição, e reconta Bowler, que certa vez Nicolau teria presenteado, sem ser notado, três boas filhas de um homem pobre, que por não terem dotes para se casar, estariam à beira da prostituição. O presente? Sacos de ouro jogados pela chaminé nos últimos dias do ano. Daí o costume de dar presentes na véspera do Natal e toda a reputação do velhinho, que mesmo sendo bom só traz regalos para quem fez por merecer.

Após sua morte, as relíquias de São Nicolau foram disputadas por turcos e italianos, sua lembrança mítica foi escorraçada pela Reforma religiosa e parte do seu corpo acabou no meio dos destroços das Torres Gêmeas, no 11 de setembro.

Uau, Papai Noel tem mesmo história!

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