UOL Tablóide Critica: livro de anedotas sobre gaúcho foi escrito por paulista

Thiago Varella
Da Redação

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Bah! Entender os gaúchos é dureza. Enquanto Jorge Ben diz que o Brasil é um país tropical, Teixeirinha canta o minuano. Se o resto do país reclama pela volta do futebol-arte, ofensivo e cheio de dribles, o gaúcho clama pelo futebol viril, botinudo e, dizem, retranqueiro. E por aí vai.

Reprodução
Capa do livro "As Melhores Piadas de Bagé"
Tchê, por isso, fazer humor sobre o gaúcho é uma arte. Luis Fernando Verissimo, gaúcho praticante desde o nascimento, torcedor colorado, saxofonista, filho de um dos maiores escritores gaúchos de todos os tempos, Erico Verissimo, sabe como fazer. Ele retratou o gaudério típico, de bota e bombacha, mateando pelas ruas do interior do Estado na figura do Analista de Bagé.

Bah? Não conheces o Analista de Bagé, tchê? Além de ser um grande nome do humor brasileiro, trata-se de um psicanalista que se diz "mais ortodoxo que pomada Minancora" e que utiliza as técnicas do "joelhaço" para que o vivente esquecesse as dores menores sempre foi um sucesso do escritor (técnico do joelhado: joelhada no lugar mais doloroso da anatomia masculina; use a imaginação).

Tchê, um galo velho resolveu se apropriar - de forma absolutamente lícita - do personagem. Claudio Cunha, ator e diretor de teatro, viaja o país, ao lado de uma bela chinoca, representando o Analista de Bagé. Recentemente, Cunha escreveu um livro, "As Melhores Piadas de Bagé". O ator compilou em 102 páginas algumas das mais conhecidas piadas de gaúcho.

Edgar
Oigalê! Quem é mais gaúcho que o Analista de Bagé?
Bah! Em vez de apenas deixar as anedotas soltas pelas páginas, Cunha "amarrou" o livro em torno de alguns personagens. Tem o tio Olegário, o Agenor, o Dilermando, o Salustiano, o Castelano, o dotadão Inocêncio e alguns outros bageenses e pelotenses.

Tchechê, daí tu me pergunta, o livro é mesmo tri?

Bah, daí eu te respondo, é e não é.

Tchê, se o leitor está procurando um humor de fácil digestão, rasteiro, com piadas de sexo, vai gostar. "As Melhores Piadas de Bagé" funciona como uma revistinha de piadas do Ary Toledo ou o programa "A Praça É Nossa".

Exemplo:
De outra feita, o Fonseca perguntou para o tio Olegário:
Tu é espírita?
Mais ou menos.
E tu acredita em vida após o casamento?


Bah, se você gosta de um humor diferente, daí, é melhor assisir um jogo do Guarany de Bagé contra o Brasil de Pelotas a ler este livro.

Tchê, agora, o fato mais bizarro do livro. O autor, que interpreta o Analista de Bagé e aparece vestido de bombacha tomando um chimarrão dentro do livro, não é gaúcho. É paulista!

Orra, meu! Livro de gaúcho escrito por paulista? Ô louco! Cunha até diz na contra-capa que não é gaúcho. Mas até aí tudo bem. Poderia ser mineiro que, segundo Agamenon Mendes Pedreira, não passa de um gaúcho enrustido. Mas paulista? Só tive decepção maior quando descobri que o Falcão (não o cantor, nem o jogador de futsal), comentarista esportivo e eterno ídolo do Internacional, não é gaúcho, mas catarinense (UOL Tablóide também é cultura).

Orra, meu, mas, tudo bem, nós aprendemos a viver com as decepções. A Miss São Paulo mesmo não é paulista....

Comentário Tabloidal: se você achava graça nas revistinhas com piada que o Costinha lançava, leia. Se não, há sempre a alternativa das histórias em quadrinhos do Analista de Bagé, de Luis Fernando Verissimo e Edgar Vasques, que numa escala de 0 chimarrão a 5 chimarrões, leva 5 chimarrões, oigalê!

ps - Critique o "UOL Tablóide Critica" no Tablog, o Blog do Editor do UOL Tablóide

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