País se orgulha da vitória, mas a guerra é mesmo coisa do passado

Haroldo Ceravolo Sereza
Em Ho Chi Minh (Vietnã)

Muito ao Sul de Hanói, a cidade de Ho Chi Minh, antiga Saigon, mantém um museu que reflete bem o sentimento de orgulho nacional dos vietnamitas, resultado da vitória sobre a potência militar norte-americana. Mas também como a Guerra já não é mais a grande questão nacional.

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Entrada do pequeno museu exibe caça F5 capturado durante a guerra
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Entre o acervo mal cuidado estão mapas colados em papel cartão
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Prédio moderno em frente ao museu mostra os contrastes do novo Vietnã
O museu está "desgastado": alguns dos documentos exibidos estão colados em folhas de papel cartão. O rápido filme que é mostrado aos visitantes tem som ruim, não há uma sala apropriada para assistir. O ritmo é de um documentário militar, mas não conta com nenhum recurso moderno.

Trata-se de um museu pequeno, mas com "cara feia": na sua entrada, são exibidos um caça F-5 apreendido durante a campanha que resultou na tomada da antiga capital do Vietnã do Sul e um tanque do Exército comunista.

Isso fica ainda mais evidente porque, em frente a este museu, fica a sede da PetroVietnã, um prédio alto, envidraçado, moderno, em que os visitantes tomam café usando internet sem fio. Esse cenário hipermoderno é freqüente na cidade, resultado da abertura econômica por que passa o Vietnã e de investimentos externos, muitos deles norte-americanos.

Uma grande questão que enfrenta agora o governo é tentar manter o ritmo de crescimento elevado, a taxas "chinesas", e segurar a inflação e o processo de dolarização da economia.

Bandeiras dos Estados Unidos e do Vietnã juntas não causam constrangimento algum (aliás, seria estranho se causasse, uma vez que o Vietnã ganhou a guerra). E se Saigon foi a capital da Cochinchina francesa, o inglês superou em muito a língua da metrópole que dominava o país antes da Guerra.

Na verdade, a cidade de Ho Chi Minh celebra essa vitória em muitos espaços: há outros museus dedicados à guerra e aos crimes cometidos pelos inimigos, especialmente os americanos. A própria figura do líder comunista Ho Chi Minh (1890-1969) é lembrada em muitos espaços - inclusive nas bancas de camiseta, superando de longe as dedicadas a Che Guevara. Mais uma vez, é a economia, porque se tem uma coisa que vende nas bancas das ruas de Ho Chi Minh é a camiseta do próprio e a da estrela amarela no fundo vermelho.

Imprensa vietnamita

A chegada de Lula figurou na capa do jornal Viet Nam News, "the national english language daily", graças a sua visita a Hanói. O jornal, que estampou uma foto oficial do presidente brasileiro, lembrou a visita do secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Nong Duc Manh, ao Brasil no ano passado e lista os produtos que o país exporta para o Brasil -- entre eles, arroz e tubulação para bicicletas e motos. A reportagem com mais destaque referia-se ao Congresso do Partido Comunista.

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