UOL Tablóide Critica Especial: "Chêt Lúc Nua Dêm" parece Zé do Caixão, mas se passa em "Saigão"

Haroldo Ceravolo Sereza
De Ho Chi Minh (Vietnã)
Pedro Cirne
Em São Paulo

  • [creditofoto]

Se o mundo é um grande UOL Tablóide, por que o Vietnã seria diferente?

O Editor do UOL Tablóide foi fazer algo que só os vietnamitas fazem (pelo menos, desde o sucesso de "O Cheiro da Papaia Verde", filme k.beça de 1993 que encantou muita gente uma geração atrás). Foi assistir a um filme vietnamita.

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Uma imagem captada no cinema, do filme "Chêt Lúc Nua Dêm"
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Outra imagem captada no cinema, agora da segunda parte da obra
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Cartaz do filme que fez o Editor lembrar de seu amigo Zé do Caixão
Como assim, se ele não entende (ainda!) nada (nada mesmo!) da língua falada no país de Ho Chi Minh (e também a escrita, mesmo ela usando o alfabeto latino)?

O internauta está subestimando a capacidade crítica deste Editor. Cinema é cachoeira, para citar Humberto Mauro. Cinema é movimento. A rigor, o som e a palavra estão lá de extra, defendem alguns críticos (isso é verdade, mas não para qualquer filme, na modesta opinião do crítico amador).

Bom, mas estamos fugindo do alvo da crítica: "Chêt Lúc Nua Dêm", ou "Midnight Death", em inglês. Tudo começa quando um jovem cabeludo dá entrada num hospital estranhamente vazio de Ho Chi Minh City (HCMC, daqui adiante), ou seja, Saigon, Saigão no título deste texto apenas para rimar.

O rapaz começa a ter visões, que assustam a platéia e, muitas vezes, provocam risos também. Uma mulher desfigurada, carregando um filho no colo, sangrando. Por vezes, ela circula. É um boneco sem vida, então ele circula sobre rodas, não tem o movimento de andar. As portas se abrem sem que ninguém faça nada. Sai sangue da torneira. Berros, aparições, enfermeiras e enfermeiros também se assustam, médicos desprezam a questão. E as aparições vão ficando cada vez mais fortes, e começam a chamar o rapaz ao suicídio.

O que era inexplicável ganha uma explicação. O rapaz era um motoqueiro que, durante um racha, atropelou uma mulher grávida. Se você pretende ver o filme, internauta, saiba que este não é o final da história. Falta pouco, mas não acabou.

Passou esse pouco, e não acabou. O que aconteceu?

Simples, é um filme em dois episódios. Acabou a parte mais Zé do Caixão, mais "À Meia-Noite Levarei tua Alma", que o Editor do UOL Tablóide só pôde adorar.

E o que liga o primeiro ao segundo é que o filme também começa no trânsito, mas desta vez é uma história de amor. Como contou o UOL Tablóide, a vida social de HCMC passa pelas duas rodas.

Sinopse da segunda parte: gatinha encanta rapaz e ricaço ao mesmo tempo; ela decide ficar com o pobretão, que nem moto tem (só uma bicicleta). Eles se amam, eles se casam. Mas eles não conseguem consumar o casamento - ora porque a casa está cheia de crianças, ora porque uma aranha pica a garota na hora agá, ora porque um bando de garotos marginais assalta o casal.

O ricaço, que acompanha o caso à distância, aproveita-se do momento de maior fraqueza da moça, quando ela já está cambaleando, e a carrega nos braços para dentro do seu carrão, dirigido por um guarda-costas motorista.

Moral da história (sorry, não dava para ter moral da história sem contar o final): há duas leituras possíveis, embora o placar seja o mesmo. Se o garoto pobre perdeu, estamos diante de um filme crítico diante do avanço capitalista nojento de bigodes no Vietnã. Se o ricaço ganhou, é um filme entusiasta.

Faltam referências culturais no momento para o Editor concluir sozinho.

(Agora, fala sério: como é que o Editor do UOL Tablóide descobriu um filme desses sem ao menos olhar a sinopse? É muita sensibilidade cultural, ou não passa de muita sorte; ele vai jogar na loteria, se ganhar, é porque é sorte.)

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