Dá para ganhar dinheiro aqui? Editor do UOL Tabloide tenta a sorte em um cassino

Pedro Cirne
Do UOL Tabloide
Enviado especial a Nassau (Bahamas)

Entre as atrações turísticas das Bahamas estão seus cassinos. Diante de mais essa oportunidade de exploração antropológica, o Editor do UOL Tabloide criou coragem, esqueceu o fato de que é um notório sovina (quase um Tio Patinhas, mas sem o dinheiro) e foi à luta.

CASSINO, COISA DE CINEMA

  • Divulgação

    Nicolas Cage e Elisabeth Shue não estavam lá...

  • AFP - 28.fev.2003

    ...nem Sharon Stone (ou ela estaria disfarçada?)

Diz o ditado "azar no amor, sorte no jogo". Ciente de que costuma ter azar em ambos, o Editor do UOL Tabloide levou consigo seu amigo Pé de Coelho, que costuma ter sorte no amor, no jogo e onde mais for possível. Ambos foram ao maior cassino local, o Atlantis.

O hotel é gigante... Tem, inclusive, um lindo aquário no primeiro subsolo. Mas, peraí, "nós viemos aqui para jogar ou para ver peixinhos fazendo glub-glub?". Primeira parada: os peixinhos fazendo glub-glub. Belíssimo aquário, valeu a visita.

Isto feito, vamos à jogata. A primeira impressão ao entrarmos em um cassino daquele tamanho é que estamos em um filme de Hollywood, daquele com trailers velocíssimos e emocionantes, com perseguições de carro, socos no queixo, explosões, frases de efeito e beijos apaixonadíssimos. Isso no trailer, porque o filme em si é uma história de redenção e superação, com direito a uma emocionante cena de o personagem sofrendo sob a chuva, onde é amparado pela mulher que ele ama loucamente, mas que "jamais" será sua. Ou algo assim.

Mas, enfim: fica aquela sensação de que a qualquer momento Nicolas Cage ou Sharon Stone passarão por nós. Uma ilusão, é claro.

"Onde fica a máquina de ganhar dinheiro?", pergunta Pé de Coelho ao entrar. Outra ilusão, é claro.

Mas, pode-se argumentar, no meio daquela grosa de máquinas (caça-níqueis ou videopôquer), pelo menos uma deve dar lucro para o pobre apostador. Voltaremos a elas depois: primeiro, vamos examinar o terreno.

Há mesas de blackjack (vinte-e-um, no Brasil), roleta, dados, pôquer. Todas elas cheias de pessoas ao redor, cheias de fichas e cheias de regras. São tantas liturgias por mesa que cada uma delas parece uma religião à parte. O sacerdote, claro, é o funcionário da casa (crupiê) que, com sua "bata" bacanérrima, parece nos dizer: "confesse, filho: você sabe que só veio aqui perder dinheiro".

Não há manuais de instruções: são religiões só para iniciados, como na época em que as ladainhas eram ditas em latim. Ou você entende o que significam aquele monte de expressões ditas à mesa, ou não: "snake eyes", "dolly", "deuces wild". Isso não vai influenciar nas suas apostas: você vai perder dinheiro, "sorry".

As mesas são divididas pelo valor das apostas, em mínimos e máximos. Procuramos a mesa de blackjack com valor mínimo: US$ 25. Ou seja, por uma jogadinha, precisamos de uma ficha verde de US$ 25. Juntamos nossos trocados e pegamos US$ 40 em fichas. Apostamos a nossa ficha verde. Se perdêssemos logo na primeira rodada, deixaríamos a mesa e iríamos aos caça-níqueis.

CASSINO, MÁQUINA DE PERDER DINHEIRO

  • Silvio Cioffi/Folha Imagem - 23.jul.2008

    Exemplo de caça-níqueis (esses, de Las Vegas)

  • Priscila Pastre-Rossi/Folha Imagem - 18.jul.2007

    Exemplo do carteado rolando solto (esse, no Chile)

O crupiê e os demais jogadores, percebendo que éramos neófitos, perguntaram de onde éramos. "Brasil". OK, eles ficaram felizes, haveria comunicação: poderiam falar em espanhol conosco. E assim, explicaram em espanhol o "uno mas" ou "no mas", caso quiséssemos ou não aceitar mais cartas. A explicação foi apressada e tosca, mas vamos ao que interessa.

O lance foi tão rápido que não entendemos direito, mas aquela nossa fichinha verde de repente virou três: ganhamos. Ou seja, dava para brincar mais um pouco. O crupiê dava as cartas e, quando via que íamos fazer besteira, ele mesmo, assim como os nossos colegas de mesa, nos avisa, em espanhol: "no mas". E assim fomos ficando na mesa: perdemos, ganhamos, perdemos, ganhamos, perdemos, perdemos, perdemos. E saímos da mesa com US$ 15.

Próxima parada: os caça-níqueis. Algumas delas aceitavam jogos de US$ 0,05, outras de US$ 1 e dezenas no intervalo entre esses valores. Escolhemos a de valor mais baixo: afinal, uma única notinha valeria muitas giradas naquela alavanca lateral, dando a falsa impressão de que poderíamos ganhar alguma coisa.

E não é que ganhamos? Em uma aposta do Pé do Coelho (claro que seria ele...), nosso crédito, que era de menos de US$ 1, pulou para mais de US$ 16, enquanto uma musiquinha brega e divertida saía estrondosa da máquina. Decidimos parar imediatamente: pegamos o tíquete, que seria trocado por US$ 16 mais tarde, e fomos procurar outro lugar.

As mesas de roleta e dados são, na azarada opinião deste escriba, as mais cinematográficas. Grandes, verdes, com pessoas ao seu redor perdendo fortunas loucamente, mas se divertindo com isso - pelo menos era o que aparentava.

Olhávamos quanto cada um deles perdia por aposta (havia um senhor na roleta que queimava mais de US$ 200 por rodada), olhamos para nossos bolsos às moscas: OK, hora de voltar. Gastamos US$ 41, recuperamos US$ 31. Houve algum prejuízo, mas não foi tão grande, graças aos caça-níqueis.

Ah, os caça-níqueis...

Ah, a ganância humana...

Ah, os caça-níqueis fazem um barulho tão legal quando você ganha...

Ah, a ganância humana faz você ser uma besta, já percebeu?

Voltamos à máquina que nos rendeu US$ 16... Para gastarmos só mais US$ 1.

Perdemos.

Só mais US$ 1, hein?

Perdemos.

Só mais US$ 1, hein?

Ganhamos: virou US$ 3. Chega! Vamos embora daqui... Saldo total: perdemos US$ 10, jogamos blackjack e caça-níqueis. E vimos os peixinhos fazendo "glub-glub".

Dá para ganhar dinheiro aqui?, foi a pergunta do título. Resposta: ganhar, eu não sei. Perder, eu tenho certeza que dá...

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos