Kit antichuva custa menos de R$ 50 e vende mais para o consumidor já ensopado

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Tabloide
Em São Paulo

É preciso sentir a necessidade na pele (na roupa, no sapato e no cabelo) para criar uma demanda. Em outras palavras, é assim que o camelô Paulo Macedo explica a venda de guarda-chuvas. "Só mesmo depois da chuva é que sai mais. O cara precisa se molhar para ver que o melhor é comprar um", diz o vendedor improvisado na frente de uma banca de jogo do bicho.
 



As nuvens pesadas escurecem o Largo da Batata, no bairro paulistano de Pinheiros. No bafo que antecede o temporal, os ambulantes gritam "água gelada" para os motoristas trancados em suas saunas sobre rodas. Segundos depois, a água vem é de cima. E a hora é de vender sombrinhas para quem está a pé.

O kit completo para fugir do aguaceiro custa menos de R$ 50. Vejamos: uma capa emborrachada sai por R$ 14, uma galocha está na casa dos R$ 25, e um guarda-chuva custa, no máximo, R$ 10. Total: R$ 49.

"Agora no verão, o guarda-chuva vira nosso principal produto. Vende que nem água", faz o trocadilho a comerciante informal Rita de Cássia na frente de uma barraca que oferece também celulares, rádios e calculadoras. Tudo "made in China". Tudo com prazo de validade incerto.

As umbrelas ganham estampas com estrelas, flores, oncinha, desenho de animais ou o tradicional preto. "O preto é unissex. Mulheres também gostam. Mas este xadrezinho também é o xodó delas", explica Macedo, apontando uma imitação do padrão usado pela grife inglesa Burberry. O original custa por volta de R$ 300. O pirata pode ser adquirido por módicos R$ 6, mas não resiste às intempéries e à baixa qualidade.

Comprado do atacado na rua 25 de março, o modelo pequeno custa R$ 3, e o grande vale R$ 5. Eles são revendidos nas esquinas de toda Grande São Paulo pelo dobro do preço. "Mas quando chove três dias seguidos, os atacadistas aumentam o preço, e nós não podemos aumentar", se queixa Macedo.

Outra opção é se dirigir a uma loja de pesca ou um comércio especializado em produtos de borracha. Lá é possível comprar capas de chuva que vão além daquelas tão transparentes quanto descartáveis que são vendidas na entrada de jogos ou shows e custam invariavelmente R$ 5.

Nas cores amarela ou preta, a capa de PVC custa R$ 14. Há também o conjunto completo, com blusa e calça impermeáveis, que sai por R$ 30. O único inconveniente é que o modelo é abafado, e o usuário quer arrancá-lo logo que para de pingar.

Nesses armazéns é recomendável adquirir galochas. Um par com cano até o joelho custa R$ 30. Um modelo feminino, com bico fino e salto, custa R$ 25. Outros tipos têm forro interno e solado com ranhuras para não escorregar. "Quem mais compra são empresas que precisam que seus funcionários trabalhem ao ar livre, como condomínios e empreiteiras. Mas particulares que gostam de acampar também vêm aqui", informa o balconista Eduardo Ferreira, da loja Pinheiros Borrachas, que participou da videorreportagem acima, uma imitação "barata" dos programas de vendas que infestam a TV.

Mesmo com índices pluviométricos bem superiores aos britânicos, São Paulo só importou em 2008 a moda das galochas fashion. Chamadas de "rubber boots" pelos londrinos, essas sete léguas estilosas acabaram não pegando por aqui. As pessoas preferem molhar o pé e proteger a cabeça com um desses guarda-chuvas gigantes que ocupam metade da calçada quando abertos - fechados mais parecem uma arma de segurança pessoal.

UOL Tabloide adverte: nosso kit antichuva não protege contra enchentes e deslizamentos, afinal, nem as autoridades competentes nos protegem disso.

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