Editor do UOL Tabloide enfrenta risco de morte e a falta de educação para aproveitar que está em Las Vegas e... atirar

Pedro Cirne
Do UOL Tabloide

Em Las Vegas (EUA)

  • Pedro Cirne/UOL

    A The Gun Store, em Las Vegas (EUA), visitada pelo UOL Tabloide

    A The Gun Store, em Las Vegas (EUA), visitada pelo UOL Tabloide

<i>"Estou completamente ciente de que há sérios riscos no uso de armas de fogo. Eu entendo que estes perigos incluem, mas não estão limitados, a ser baleado por mim mesmo ou por outra pessoa; ser ferido por ricochetes; ser ferido por falhas que fazem com que as armas explodam; envenenado por vapores tóxicos; danos à minha audição devido ao alto barulho dos tiros e danos à minha visão ou pele devido aos flashes dos disparos." </i>

DICAS DE SOBREVIVÊNCIA EM UMA LOJA DE DISPAROS

Cinco coisas para NÃO fazer em um lugar em que todo mundo está potencialmente armado

1 - Não comente a falta de educação, nem mesmo por meio de indiretas (“não se usa 'boa tarde' nesta parte dos Estados Unidos?”)
2 - Não reclame do preço
3 - Não esbarre em ninguém
4 - Não deixe seu instrutor perceber que você não achou a menor graça na sua piadinha completamente estúpida
5 - Não repare na namorada do cidadão na sua frente, por mais linda que ela seja

Este é o início do termo de compromisso que você tem que assinar ao entrar em uma loja de disparos em Las Vegas, e é tão importante para eles que vem antes do “boa tarde, como vai você?”. E quase fez o Editor do UOL Tabloide ir embora. Afinal, ele é pacifista, “paz e amor” etc., e um lugar em que as pessoas pagam para dar tiros em pôsteres desenhados não é exatamente a sua praia. Mas... Estamos em “Vegas, baby”. E nem tudo aqui é mulher bonita (como o Miss Universo 2010) ou apostas a dinheiro (como quase todo o resto). Também há espaço para casamentos (você pode cometer matrimônio em pouquíssimos minutos) e para... atirar.

Sim, dar tiros é um programa comum. Segundo funcionários da loja em que o UOL Tabloide esteve, é um programa família. Há o kit para mulher (com armas rosas) e o kit infantil (é sério!), com armas mais leves. Não há idade mínima: qualquer criança está habilitada a atirar desde que seja capaz de segurar a arma.

O Editor do UOL Tabloide, que não é uma criança (apesar de às vezes se portar como uma - ou sempre, diria a indefectível Sub da Sub, com quem convive diariamente), pediu um kit infantil para dar seus tiros e escrever a matéria. Afinal, não quer ser “baleado por si mesmo”, “envenenado”, “ferido” ou algo assim, como diz o compromisso que ele assinou ao entrar - e antes de ouvir o “boa tarde”.

A moça que o atendeu, a simpática Emily Miller (quando ela chegou, ele já havia assinado o termo de ciência de "posso até morrer agora que a culpa é minha e não de vocês"), não o levou a sério e trouxe armas maiores. Melhor não discutir: ela não só sabe atirar bem como está armada e cercada por dezenas (centenas, até) de armas, e por pessoas que também sabem atirar (ou que, se não sabem, não faz a menor diferença, elas pagam e “está tudo bem”).

A longa fila que o Editor do UOL Tabloide encarou mostra que não é exatamente um programa família, mas que há famílias sim: um casal foi com um filho de cinco anos (que foi assistir) e um marido levou a mulher grávida de oito meses. Mas a maioria dos presentes são homens, em pequenos e barulhentos grupos.

  • Divulgação

    Você discutiria com Emily Miller nestas condições?

Há dias em que atirar é um programa “pós-família”, se assim podemos dizer. Emily conta que há mulheres que levam fotos ampliadas dos ex-maridos e penduram no lugar dos pôsteres (você pode escolher entre 18 opções para praticar seus tiros). Segundo ela, após as sessões, os pôsteres ficam completamente perfurados e as recém-divorciadas, sorridentes e satisfeitas. “Atirar é mais barato que fazer terapia”, filosofa Emily.

Mas atirar no ex-marido é, digamos em “internetês”, uma opção “customizada”. Entre as 18 opções-padrão estão: vários desenhos de zumbis devoradores de cérebros (quem gosta de filmes B há de lembrar do verso alexandrino mais entoados nas películas do gênero: “miooooolos”); um palhaço (mal) desenhado como um serial killer; “sequestradores” posando com armas apontadas para “reféns”; uma loira desenhada como se estivesse em um gibi de super-heróis de terceira categoria; e Osama Bin Laden. (Os mais populares? O zumbi-nazista-devorador-de-cérebro... e o Bin Laden.)

  • Pedro Cirne/UOL

    Esta zumbi nunca mais vai se meter com o Editor do UOL Tabloide...

Se há o “pós-família”, existe também o programa “pré-família”: despedidas de solteiro que, em um momento ou outro da celebração, passam por uma dessas lojas de disparo. Durante uma festa realizada este ano, todos os convidados chegaram para atirar ainda fantasiados de Hugh Hefner (o criador da “Playboy”), enquanto o noivo estava fantasiado de “coelhinha”. Ou seja: a cena era um cara vestido com baby doll, orelhinhas de coelho, seios falsos, meiões e uma arma na mão, disparando loucamente. Você diria a ele que ele estava pateticamente ridículo? (Dica: ele estava armado.)

Continuando o momento “Rambo” (ou “Jack Bauer”, se quando você é mais novo) do Editor do UOL Tabloide: uma vez escolhidas as armas e enfrentada a fila, você escolhe material para proteger o rosto (lembra-se do termo de compromisso e do risco de morte?). Isso inclui óculos transparentes e um protetor de ouvidos para o barulho infernal - segundo as lendas da internet, uma máscara de papel com o rosto de Chuck Norris desenhado protegeria muito mais, mas tudo bem.

E lá vamos nós. Imagine a cena: você entra em um corredor, fecha a porta. Há outra porta. Só pode abrir a segunda porta quando a primeira estiver fechada, entendeu?, pergunta o instrutor fortão com duas armas na mão. Você está com o protetor de ouvidos e não escuta direito, mas olha bem para as armas na mão do cidadão e concorda.

Aí o Editor do UOL Tabloide fica com a arma na mão e nada na cabeça. Com um pé atrás, diz ao instrutor “você primeiro, amigo” (seguro morreu de velho, já dizia a Tia Izildinha, a sábia tia do Editor do UOL Tabloide). O instrutor faz que vai disparar, olha a arma, tira, põe, deixa ficar, mexe mais, olha para o Editor do UOL Tabloide e diz: “a arma está com problema, vou trocá-la”. Obrigado, Tia Izildinha.

E lá se vai ele, deixando para trás o Editor do UOL Tabloide no meio de meia-dúzia de curiosos disparando. O ambiente lembra um pouco o filme "Apocalipse Now": barulho ensurdecedor (apesar do protetor), cheiro de pólvora (OK, não dá para sentir o cheiro assistindo ao filme, mas imaginação está aí pra isso) e pessoas falando coisas sem sentido. Só faltava alguém dizendo que era um ótimo momento para surfar.

Por fim, o instrutor volta, e o Editor do UOL Tabloide atira. Uma, duas, várias vezes. Se valeu a pena? Bom, o Editor do UOL Tabloide é pacifista, "paz e amor" etc., e preferia ter assistido a uma nova sessão de "Apocalipse Now" (ou qualquer outro filme do Coppola).

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