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Veja tudo o que o Facebook mudou e prometeu mudar após o escândalo de dados

Nicolas Asfouri/AFP
Imagem: Nicolas Asfouri/AFP

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

30/03/2018 16h25

crise de dados do Facebook, que usou dados de usuários como arma política nos EUA e Reino Unido, pode render temor entre usuários que prezam por privacidade. Para evitar mais problemas, a rede social liderada por Mark Zuckerberg está mudando uma série de regras e implementando novidades.

As notícias mais recente, desta terça-feira (10), confirmam o programa de recompensas para quem denunciar abuso de coleta de dados, e apps inativos dentro de um perfil do Facebook serão desligados a cada 90 dias.

Uma das primeiras reações do Facebook ao escândalo foi no mundo real, ao suspender Cambridge e seu psicólogo Alexandr Kogan pelo uso indevido das pessoas. No entanto, a empresa quis deixar claro que não houve "violação de dados" dentro do Facebook, pois a Cambrifge "ganhou acesso às informações por meio legítimo e pelos canais corretos, mas não seguiu nossas regras na sequência".

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Mas como o noticiário dois últimos dias envolvendo o caso vem sendo agitado, resolvemos concentrar todos os esforços do Facebook para proteger um pouco mais tanto seu enorme contingente de usuários, que ficaram mais descrentes e começaram o movimento #deletefacebook, quanto seus tensos acionistas, que estão vendo a empresa despencar em seu valor de mercado.

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O que já vem

  • Recompensas

    Assim como em outras empresas de tecnologia, o Facebook tem um serviço de recompensas que dá dinheiro para quem acha bugs na plataforma. Isso será ampliado para incluir uso indevido de dados por desenvolvedores de apps terceiros. A empresa diz que não há um limite máximo, mas o programa contra bugs já premiou uma descoberta de mais de US$ 40 mil (R$ 142,8 mil), para se ter uma ideia. Leia mais

  • Desligamento de apps não usados

    Um problema constante no Facebook é que usuários acessam apps terceiros em seu perfil para usufruir dele em um período curto, de no máximo alguns dias. Afinal, depois que você permitiu o acesso a uma empresa desconhecida para saber com qual celebridade você se parece, não há mais necessidade de que seu perfil esteja eternamente anexado a essa empresa.

    Só que, como as coisas são hoje, ela continua lá no seu perfil, com liberdade para "chupar" seus dados pessoais com fins escusos.

    Apesar de ser viável para o usuário desligar essa conexão ele mesmo, é preciso lembrar periodicamente de fazer esta "limpeza" fuçando nas configurações da rede social. Um trabalho que quase ninguém quer ter.

    Para evitar que essas empresas continuem acumulando informações infinitamente de milhares de perfis, o Facebook sentenciou que se você não tiver usado um determinado aplicativo ligado ao seu perfil nos últimos três meses, a plataforma desligará automaticamente o acesso do app às suas informações. Leia mais

  • Divulgação

    Aviso às vítimas

    O Facebook começa a alertar diretamente usuários afetados pela Cambridge Analytica. A empresa começa a enviar comunicados às pessoas afetadas por aplicativos que usaram mal seus dados.

    Há duas maneiras de descobrir. Uma delas é uma notificação que será enviada para todos os usuários. A outra é uma nova página de ajuda do Facebook que detecta automaticamente se seu perfil foi afetado pelo caso. Leia mais

  • Pesquisará relação Facebook/eleições

    Mark Zuckerberg anunciou em 9 de abril que o Facebook passaria a contar com uma comissão independente de pesquisa eleitoral que solicitará estudos sobre os efeitos das mídias sociais nas eleições e na democracia. "O objetivo é obter ideias dos principais acadêmicos sobre como abordar essas questões e também nos responsabilizar por garantir a integridade dessas eleições no Facebook", disse o executivo-chefe da empresa.

    Zuckerberg adiantou que está trabalhando com fundações nos Estados Unidos para criar o tal comitê de especialistas. As fundações criarão tópicos de pesquisa e selecionarão, por meio de um processo de revisão entre elas, os pesquisadores independentes que estudarão esses tópicos.

    "Daremos a esses pesquisadores acesso aos nossos recursos para que possam tirar conclusões imparciais sobre o papel do Facebook nas eleições, incluindo como estamos lidando com os riscos em nossa plataforma e quais medidas precisamos tomar antes de futuras eleições. Eles compartilharão seu trabalho publicamente e não precisarão da nossa aprovação para publicar", promete Zuckerberg.

  • Mudou política para proteger eleições

    Chefe do Facebook, Mark Zuckerberg colocou como uma de suas ?principais prioridades? evitar interferência em eleições por meio da rede social. O chefão do site anunciou duas novas medidas que serão colocadas em prática a partir de hoje. A primeira é que qualquer anunciante que queira colocar anúncios políticos no Facebook terá que ser certificado, o que envolve a confirmação de identidade e uma localização. Se o anunciante não passar na certificação, será proibido de colocar no ar qualquer anúncio político.

    A segunda medida feita pelo Facebook envolve pessoas com páginas com muitas curtidas: elas também terão que ser verificadas. A intenção é evitar o uso de contas falsas para crescer de forma viral e espalhar desinformação. O Facebook diz que contratará "milhares de pessoas" para conseguir verificar todas as páginas e anunciantes antes dos meses críticos das eleições de 2018. Leia mais

  • Simplificou controle de privacidade

    Uma das promessas de Mark Zuckerberg envolvia "tornar mais fácil para as pessoas desabilitarem o uso de seus dados por outros aplicativos". Vimos como isso será na prática no dia 28 de março, mas a implementação deve acontecer só nas próximas semanas.

    São basicamente dois grandes redesigns. Na primeira, o app do Facebook para celulares e tablets terá uma área de configurações com menos submenus, para facilitar a navegação.

    A segunda é a área de privacidade mais "amigável", com visual e textos mais diretos sobre o que pode ser feito para proteger ao usuário, com autenticação de dois fatores (aquela com senha + SMS), revisão de postagens antigas, controle de exibição de anúncios e restrição de que amigos veem seus posts.

    Uma terceira mudança é uma área nova, "Acesse Sua Informação", que deixa mais claro o que você pode excluir da sua linha do tempo ou perfil que não queira que esteja mais no Facebook. Leia mais

  • Cancelou milhões de contas falsas

    O Facebook apresentou em 26 de março novas técnicas de aprendizado de máquina para detectar perfis fraudulentos e coibir golpes.

    Os novos modelos de aprendizado de máquina da empresa são treinados com base em fraudes prévias para ajudar a detectar novas. "Procuramos casos em que as pessoas procuram falar com outras pessoas que estão muito além da sua rede de conexões, ou em volumes incomuns, juntamente com outros padrões de comportamento", explica Scott Dickens, gerente de produto do Facebook.

    Com esse recurso, o Facebook diz que removeu, só no último mês, mais de meio milhão de contas envolvidas em algum tipo de fraude na rede social. Leia mais

  • Ampliou combate ao "fake news"

    Zuckerberg e sua equipe estão aumentando esforços de verificação de fatos. Uma das principais ferramentas será a checagem de informações para fotos e vídeos. Em 28 de março foi implantada na França em uma parceria com a agência de notícias francesa AFP, e "estará se expandindo para mais países e parceiros em breve".

    O método do Facebook para checar informações inclui análise do feedback de usuários, identificação de conteúdo para reduzir sua distribuição no feed de notícias, notificação de pessoas que compartilharam a história e exibição de veriticadores de checagem de fatos em uma unidade de artigos relacionados.

    A empresa usa as informações dessas ferramentas para treinar seu modelo de aprendizado de máquina, para que possam capturar mais notícias potencialmente falsas e fazer isso mais rapidamente. Leia mais

  • Cancelou parcerias

    A companhia encerrou em 28 de março o Categorias de parceiros, produto que permite que provedores de dados de terceiros ofereçam segmentação de anúncios diretamente no Facebook. A redução será nos próximos seis meses e "ajudará a melhorar a privacidade das pessoas no Facebook", diz a empresa. Assim, bancos de dados de terceiros usados para anúncios, como Acxion e Oracle, não terão mais esse poder no Facebook.

    No Brasil, uma das empresas afetadas será a Serasa Experian. Segundo o portal "Meio e Mensagem", a Experian diz que sua parceria com a empresa de análise de crédito Serasa contempla "apenas serviços de segmentação com dados anonimizados" (sem identificação pessoal) e que cumpre "rigorosamente" as leis brasileiras.

O que virá

  • Mudanças nos Termos e Políticas de dados

    A tentativa de tornar os Termos e Políticas de dados mais claros foi uma das novidades anunciadas pelo Facebook no dia 4 de abril. Em um comunicado assinado pelo vice-presidnete de Privacidade, Erin Egan, e a diretora jurídica adjunta, Ashlie Beringer, a empresa comunicou que quer esclarecer aos usuários com os seus produtos funcionam.

    Com isso em mente, o Facebook irá atualizar os Termos de serviço e a Política de dados de modo que haja maior transparência do que a empresa coleta de informações.

    Um formulário para feedback sobre as regras atuais foi disponibilizado para usuários que quiserem encaminhar sugestões ao Facebook, que afirmou que não irá solicitar novos dados com a mudança.

  • Investigação sobre apps

    Após o caso, o Facebook quer investigar todos os aplicativos criados por outras empresas que utilizaram sua plataforma e que tiveram acesso a grandes quantidades de informações de usuários.

    A plataforma foi alterada em 2014 para impedir que terceiros continuassem a ter acesso em massa a dados pessoais, mas ainda assim o Facebook diz que fará uma grande auditoria sobre qualquer aplicativo que demonstrar atividade suspeita, embora sem dar ainda muitos detalhes de como isso aconteceria.

    Se encontrarem indícios de que algum desenvolvedor usou indevidamente informações pessoais, como teria ocorrido com a Cambridge, o Facebook banirá a empresa ou pessoa física em questão de sua rede social. Isso já ocorreu com uma empresa canadense de marketing político chamada AggregateIQ (AIQ). A firma é suspeita de ter ligações com a Cambridge Analytica, a companhia inglesa que está no centro da crise na rede social. Leia mais

  • Restrição de dados

    Com mudanças no login via Facebook, os apps só terão acesso a nome, foto de perfil e e-mail dos usuários. Qualquer outra permissão terá que ter autorização da rede social. Não ficou claro se também serão pedidas permissões de usuários, como ocorre atualmente com celulares.

  • Educação de usuários

    Hoje em dia o processo de edição de aplicativos terceiros ocorre dentro das configurações do Facebook. Como uma minoria de pessoas tem o costume de alterar configurações de app que o estejam prejudicando, no próximo mês o Facebook vai anunciar para todos os usuários a existência dessa ferramenta no topo do feed de notícias.

    Não está claro por quanto tempo esse trabalho "educacional" vai durar: se apenas para ajudar a sanar esta crise ou se será periódico.

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