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Zuckerberg cai do pedestal: "fui muito idealista" e "estou desconfortável"

Stephen Lam/Reuters
Imagem: Stephen Lam/Reuters

Do UOL, em São Paulo

22/03/2018 11h04

Demorou, mas Mark Zuckerberg finalmente se pronunciou nesta quarta-feira (21) sobre o escândalo político envolvendo o Facebook e a empresa de análise de dados Cambridge Analytica. E, desta vez, falou bastante. Surpreendentemente para quem sempre tenta "tirar o corpo fora" e evita pedir desculpas, desta vez o fundador e CEO da rede social admitiu que errou e inclusive pareceu abalado.

A primeira manifestação, claro, aconteceu sua própria página no Facebook. Ali, ele pediu desculpas e anunciou providências: auditoria em apps, mudança nos dados que são fornecidos e investigação dos apps que tiveram acesso a grandes quantidades de dados antes de 2014, quando mudaram as regras. "Se não podemos [proteger seus dados], então não merecemos servir você", escreveu.

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Mas, para tentar compensar o sumiço e o tamanho do estrago, Zuckerberg também deu outras entrevistas à rede de TV americana "CNN", ao jornal "The New York Times" e aos portais de tecnologia "Recode" e "Wired". Veja alguns trechos abaixo.

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Veja abaixo algumas falas dele

  • Justin Sullivan/Getty Images/AFP

    "Entendi tudo errado e fui idealista"

    "Francamente, eu entendi errado. Eu era talvez muito idealista do lado da portabilidade de dados, de que criaria mais boas experiências. Criou algumas, mas acho que a resposta clara da nossa comunidade foi que as pessoas valorizam muito mais a privacidade. E elas prefeririam ter seus dados protegidos e ter certeza de que nada de ruim jamais aconteceria a eles e ser capaz de levá-los consigo facilmente e ter experiências sociais em outros lugares. Então com o passar do tempo, passamos a meio que restringir [o acesso aos dados por parte dos apps, a partir de 2014]" -- Em entrevista ao Recode

  • Mariana Bazo/Reuters

    Desconfortável em decidir o melhor para o mundo

    "Sinto-me profundamente desconfortável sentado aqui na Califórnia em um escritório, tomando decisões sobre políticas de conteúdo para pessoas de todo o mundo. Haverá coisas que nunca permitiremos [...] Achamos que, em termos das diferentes questões que surgem, fazemos um trabalho relativamente bom em garantir que o conteúdo terrorista esteja fora da plataforma. Mas coisas como onde está a linha do discurso do ódio? Quero dizer, quem me escolheu para ser a pessoa que... Eu tenho que fazer isso, porque eu lidero o Facebook, mas eu preferiria não fazer. [...] Eu só quero tomar as decisões o melhor possível, e acho que provavelmente há um processo melhor, que ainda não descobri. Então, por enquanto, é meu trabalho, certo?" -- Em entrevista ao Recode

  • Reprodução/CNN

    "Queremos garantir a integridade das eleições"

    "Precisamos de muito trabalho duro para tornar mais difícil a estados-nação como a Rússia fazerem interferência eleitoral, para fazer com que trolls e outras pessoas não possam espalhar notícias falsas, mas podemos nos colocar na frente disso. E nós temos a responsabilidade de fazer isso, não só para as eleições parlamentares de 2018 nos EUA [...], mas há uma grande eleição na Índia este ano, há uma grande eleição no Brasil, há grandes eleições em todo o mundo. Pode apostar que estamos realmente comprometidos em fazer tudo que precisamos para garantir que a integridade dessas eleições no Facebook seja garantida" --Em entrevista à CNN

  • FACEBOOK/NYT

    "Não temos os dados guardados, mas vamos auditar"

    "A resposta curta é que os dados [dos usuários com os apps] não estão em nossos servidores, então isso exigiria que enviássemos auditores forenses para diferentes aplicativos [...] Isso é muito do que nós estávamos tentando descobrir nos últimos dois dias e por que demorou um pouco para publicar este post. É descobrir todos os aplicativos que entraram no Facebook e todas as pessoas que estão no Facebook que se registraram nesses aplicativos e que têm um registro das diferentes solicitações de dados que o desenvolvedor fez.

    Assim, podemos ter uma noção do que são empresas conceituadas e quais são as empresas que estão fazendo coisas incomuns. Por exemplo, as que solicitaram dados em exagero ou mais dados do que precisavam. E, qualquer um que tenha uma tonelada de dados ou algo incomum, daremos o próximo passo para que eles passem por uma auditoria. E isso não é um processo que podemos controlar, eles terão que se inscrever para isso. [...]

    É um processo complexo. Não vai ser da noite para o dia. Vai ser caro para nós, e vai demorar um pouco. Mas veja, dada a situação aqui, que nós tivemos um desenvolvedor que assinou uma certificação legal dizendo que eles deletaram os dados, agora dois anos depois estamos de volta e parece que eles não fizeram, que escolha nós temos?" -- Em entrevista ao Recode

  • AFP

    "Disseram que iam apagar; fomos enganados"

    "Ouvimos, acho que foi no final de 2015, alguns jornalistas do 'The Guardian' [...] Não foi apenas sobre a Cambridge Analytica, foi sobre esse desenvolvedor, Aleksandr Kogan, que compartilhou dados com eles. Nós agimos imediatamente nesse ponto. Banimos o aplicativo de Kogan da plataforma, exigimos que Kogan e a Cambridge Analytica e outras partes com quem Kogan compartilhasse os dados certificassem legalmente que não tinham os dados e não o estavam usando em nenhuma de suas operações. Eles nos deram essa certificação formal. Na época, nos disseram que nunca conseguiram acessar dados brutos do Facebook, então tomamos essa decisão.

    Eles nos deram uma certificação formal e legal, e me parece neste momento, que isso era falso. Mais uma vez, ainda não fizemos nossa investigação e auditoria completa, então não posso dizer definitivamente que eles realmente têm dados. Acabei de ler os mesmos relatórios que vocês têm, que diz que os jornalistas viram evidências de que eles têm os dados, o que é um sinal forte o suficiente para continuarmos a agir aqui." -- Em entrevista ao "The New York Times"

  • Justin Sullivan/Getty Images/AFP

    "Entendo a falta de confiança"

    "Eu não acho que tenhamos visto um número significativo de pessoas agindo nisso [campanha para se deletar do Facebook], mas isso não é bom. Eu acho que é um sinal claro de que este é um grande problema de confiança, e eu entendo isso. E se as pessoas excluem o aplicativo ou simplesmente não se sentem bem em usar o Facebook, esse é um grande problema que acho que temos a responsabilidade de corrigir" -- Em entrevista ao "The New York Times"

    "Não tenho certeza se não devemos ser regulamentados. Existem coisas como a regulamentação de transparência de anúncios que eu adoraria ver -- Em entrevista à "CNN"

  • Jhon Paz/Xinhua

    "Ficaria feliz de ir ao Congresso depor"

    "O Facebook testemunha regularmente perante o Congresso sobre vários tópicos, a maioria dos quais não tem um perfil tão alto quanto o caso da Rússia recentemente. E nossa filosofia sobre isso é: levar ao governo e ao Congresso o máximo de informações que pudermos sobre qualquer assunto que conheçamos para que eles tenham uma visão completa [...] e poderem juntar isso e fazer o que precisam fazer. [...] A razão pela qual não fizemos isso [Zuckerberg depor] até agora é porque há pessoas na empresa cujo trabalho é lidar com a conformidade legal de algumas dessas coisas, e elas estão fundamentalmente com mais detalhes sobre esses assuntos. Portanto, contanto que haja um testemunho substantivo de que as pessoas estão tentando conseguir [sobre o Facebook] o máximo de conteúdo possível, não sei quando serei a pessoa certa. Mas eu ficaria feliz de ir" -- Em entrevista à "Wired"

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